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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Homenagem à Mério Rodrigues Alves

Texto de Alcione Oliveira e desenho de Milton Kennedy

Mério Rodrigues Alves Vida Viva


"Alfenas amanheceu de luto... Partiu senhor Mério!
Deixa agora os alfenenses para continuar o seu trabalho maravilhoso do outro lado da vida.
Seu trabalho não pode parar...Colônias Espirituais o aguardam para com sua alegria, bom ânimo e luta incessante, ajudar no alívio de muitas dores.
Seu semblante calmo e tranquilo é prova de que por aqui o seu dever foi cumprido.
Seu nome fica registrado na história de alfenas e em nossos corações.
Vai senhor Mério, sua luz é intensa, ilumine outros mundos... Brilhe eternamente!
O senhor será sempre "Vida Viva" em nossos corações e por toda a eternidade, um viva à sua vida!
Que o meu carinho o acompanhe nessa nova jornada!"



Mério Rodrigues Alves foi fundador e presidente da Associação dos voluntários Vida Viva, entidade de apoio a pacientes com câncer, que oferece estrutura para projetos de assistência gratuita aos portadores do câncer de Alfenas e região.
Quer colaborar com a entidade (ou pedir ajuda)? Acesse o site da Vida Viva e saiba como: http://www.vidavivaalfenas.org.br

segunda-feira, 10 de junho de 2013

A MENINA DA JANELA


                            A MENINA DA JANELA
                          

                                 Alcione Oliveira



                                 A menina na janela
                                 A sonhar os sonhos dela
                                 Tem o olhar virginal...

                                 Eu me apaixonei por ela
                                 É de todas a mais bela
                                 Não conheci outra igual!

                                   
                                 Mas o tempo passou e levou
                                 Nos seus braços a menininha
                                 Pra longe o seu olhar dispersou
                                 E a pureza que ele tinha...

                                 Hoje olho na janela
                                 Há uma flor no lugar dela
                                 Retratando os jovens anos
                                 Daquela menina bela! 

domingo, 1 de julho de 2012

Quermesses Juninas

Olá amigos, hoje recordaremos através do texto de Roberto Luiz Silva Gomes (e ilustração de Milton Kennedy), as tradicionais quermesses juninas que aconteciam em frente à Igreja de Nª Sª Aparecida. E se você também tiver alguma lembrança bacana daquela época, após ler o texto deixe seu comentário contando suas lembranças.

"Lembro-me das quermesses juninas que se realizavam em frente à igreja da Matriz de Nossa Senhora Aparecida, hoje Praça Tereza Carvalho. O piso era de terra batida, os festeiros escolhidos dentre aqueles de frequência assídua aos atos religiosos de famílias tradicionais. 
Haviam as barracas de leilões de prendas (perus, frangos, leitoas, assados e envoltos com pão de queijo), embalados em papel celofane e numa bandeja de papelão, muitos feitos sob encomenda para o famoso quitandeiro da época "Zé da Nega". Junto às prendas acompanhava uma garrafa de vinho, sem esquecer os licores. 

Festas Juninas

O leiloeiro assim expressa: Quem dá mais?! Quem dá mais?!, Dou-lhe uma, dou-lhe duas..., a prenda foi arrematada ali pelo "Coroné" fulano de tal. E os cartuchos ! Que maravilha ! Eram confeccionados em cartolina envoltos com papel crepom (verdadeiras obras de arte), muitos deles parecia uma árvore de natal, cada um mais bonito que o outro, recheados de guloseimas (pé de moleque, balas de coco, doce de leite...), e outros recheados de broas, brevidades, biscoitinhos secos, rosquinhas de nata..., nós crianças ficávamos deslumbradas com tanto colorido. 
Haviam também as barracas de tiro ao alvo, jogos de argola, barraca do coelhinho, a mais concorrida pela criançada. Havia também o " Coreto", onde o professor e maestro Sr. Eurico Hayden com toda maestria apresentava a "Banda Musical", executando marchinhas e dobrados que enchia de alegria e euforia a todos que lá estavam . 

Santo Antônio, São João e São Pedro

Nesta época as barracas eram cobertas por sapé (capim). Lembro que uma delas pegou fogo (caiu uma faísca de rojão), foi um corre-corre daqueles para apagar o incêndio. 
Após o "terço" dedicado ao santo padroeiro, sendo os atos cerimoniais administrados pelo saudoso vigário Pe. José Grimmink, se apresentava na quermesse com sua indumentária característica, batina preta serrilhada de botões, que começava no colarinho indo até aos pés. 
Haviam também o fogueteiro que nos intervalos da "Banda", soltava os " rojões de vara", era um show de luzes. A festança durava uma semana, sendo que no ultimo dia realizava-se o leilão de gado (doações dos sitiantes e fazendeiros), em lugar específico. 
Ficou em minha memória essa lembrança de minha infância".


Roberto Luiz Silva Gomes


terça-feira, 8 de maio de 2012

O Benfeitor

Boa tarde a todos! Estive meio ausente por força de cinscunstâncias, mas retorno hoje com um causo do Luiz Carlos Esteves, alfenense da gema, mora em Pouso Alegre! Abraços




Como aqui é um ponto de encontro de amigos, vou compartilhar meu inicio de vida profissional, pra vcs verem como nosso Destino esta marcado...









Como aqui é um ponto de encontro de amigos, vou compartilhar meu inicio de vida profissional, pra vcs verem como nosso Destino esta marcado...

Me formei em 1976, 18 de Dezembro..dia 20 me mandei pra Sao Paulo com duas "canastras"..uma de livros e outra de roupas e coisas pessoais, tinha ajustado um emprego numa Clínica na Freguesia do Ó, onde trabalharia, comeria e dormiria na Clinica, então me mandei com cara e coragem e sem dinheiro...rs
Chegando la, qual não foi minha surpresa, o dono da clínica havia arrumado outro Dentista, q trabalharia por um preço mais barato do q tinhamos combinado; e ele me disse: o q posso fazer por vc é te levar no trevo da Fernão Dias pra vc pegar uma carona...
E la fui eu, com 2 malas enormes, 3 hs da tarde pedir carona pra voltar pra casa..
Ja tarde consegui uma carona num caminhão, que ao chegar no trevo de Pouso Alegre, o motorista disse q dormiria ali no posto, e eu?...bem, peguei uma circular q me informaram passaria as 22,30 com a turma q saia da Alpargatas..e fiquei la no fundo ate o ponto final
Ao descer do onibus vi um Dormitório bem em frente, bati, ja era tarde..um senhor me atendeu e informou q so teria uma cama num quarto com 3, onde 2 ja estavam la..aceitei
Era 2 adeptos do hare krishna, q entoavam um mantra qdo entrei no quarto..
Não conseguindo dormir, me levantei e fui procurar a cozinha, encontrei um senhor de idade "pitando um cigarro de paia", perguntei se tinha um cafe, me serviu e ficamos proseando....contei minha historia..e ele me disse: Olha, semana passada teve um acidente, e faleceu um Dentista aqui da Cidade, conheço o pai dele...pq vc nao vai la e ve se ele nao te aluga o consultorio dele?
e assim fiz, no outro dia fui la no endereço q ele me deu, bati e o senhor me atendeu, contei o ocorrido e ele me disse: Olha, espera um pouquinho aqui....e entrou
Depois de uns minutos, voltou com um chave e me disse, toma..pode ficar pra vc, não tenho pra quem deixar isso...vc somente paga o aluguel qdo vencer, mas fica com tudo pra vc...
Fiquei muito surpreso, aceitei e insisti q quando pudesse o pagaria pelo consultorio
E assim no dia 21 de Dezembro de 1976 começei a trabalhar em Pouso Alegre, onde eu nunca imaginei em trabalhar...em Março de 1977 vendi o consultorio a um colega, paguei o meu benfeitor e pude comprar ja um consultorio novo..e aqui estou eu ate hj...
As vezes a vida nos leva......

domingo, 12 de fevereiro de 2012

De médico e louco...



Por JÚLIO CÉSAR DA PAZ             
Radialista, Maestro e professor de arte

Os dois moços atravessaram a mão inglesa, sentido
Igreja Matriz, após um agradável café na lanchonete
da praça. Júlio trazia consigo um caderno de partituras e uns CDs eruditos. Guilherme portava sua preciosa câmera fotográfica, que só deixava seu ombro - onde vinha à tiracolo - para fotografar uma curiosidade ou uma cena digna de suas lentes importadas.
Ao fim de uma animada conversa, quando já ensaiavam a despedida, deram de cara com a Sônia, que veio ao encontro de ambos, sorridente, com ar de festa.
Ao encontrar os dois, Soninha (assim a chamam) pôs-se a conversar com Júlio sobre um projeto que seria  realizado ali, dentro de poucos minutos; enquanto Guilherme, sisudo e com ar de intelectual, estudava o entorno à procura de um flagrante para suas novas lentes.
Em poucos minutos de conversa, a moça explicou que estava aguardando um gesto de seu assistente para iniciarem a gravação de um vídeo para a TV, cujo conteúdo  seria a apresentação da UTI móvel do hospital, uma inovação na área de saúde. Para isso, sua equipe preparou uma encenação. Enquanto ainda falava, um rapaz lá do outro lado da rua fez sinal com as mãos, que foi respondido afirmativamente por Soninha.
Não demorou muito, um Citröen prata, dirigido por uma garota, fez a curva, entrando na mão inglesa e atingindo  em cheio um rapaz que atravessava a rua com sua pasta de estudante sob o braço direito. Pânico geral!
Os transeuntes e a garotada, que descansava à sombra de uma árvore, correram em socorro do moço, que jazia  inconsciente no chão.
Guilherme, que ouvira o estrondo, num reflexo pôs a câmera de lado (algo raro!) e saltou para frente, deixando seu  espírito solidário ditar as ordens, sem, contudo, prestar atenção  aos amigos que tentavam lhe explicar a farsa.
Intrometido, o rapaz que estudara medicina foi em direção ao acidentado, tomou-lhe o pulso e gritou para o povo que se aglomerava:

- Todo mundo para trás! O acidente foi grave, não estão vendo? Já estudei para médico e sei o que estou fazendo. Alguém aí, ligue para o hospital, urgente!... - tomou de novo o pulso do rapaz inconsciente e falou: -O moço está quase sem batimentos. Liguem já para os bombeiros! Façam alguma coisa, pelo amor de Deus!!
O pessoal da TV estava em cima, filmando a cena burlesca que estava fora do script. Soninha e Júlio se entreolhavam. Não havia o que fazer a não ser esperar.

E eis que surge a UTI. A multidão em volta abriu caminho. O carro entrou e os paramédicos, vestidos como extraterrestres, desceram com equipamentos ultramodernos.
Agora sim! Guilherme podia passar o bastão aos homens competentes e se gabar de ter cumprido a  missão de samaritano. Falou a um dos médicos:
- Cuidado! A batida foi violenta e o cara não está nada bem! Vocês sabem, né? Fiz cinco anos de Medicina  e chequei a situação: a coisa vai mal! - levantou-se e veio ao encontro dos amigos, que continham-se para não rir.
- Viram?! Como é que se pode andar tranquilo nesta cidade? É descuidar um pouco e ser atropelado. Se não fosse um bom cristão ligar para o hospital e pedir socorro...
 Aliás, perceberam a rapidez desses médicos? - Guilherme, você não viu nada de estranho nesta ação toda? - perguntou Sônia, esboçando um sorriso malicioso.
- Que quer dizer com estranho?
- O acidente; a rapidez com que esse pessoal chegou até aqui; a UTI móvel do hospital; a TV presente no local...?
- Claro que percebi! Mas, o que isso tem a ver?!
- Tudo isso era apenas uma simulação para mostrar a agilidade da UTI móvel adquirida pelo hospital.
- Ah, meu Deus! Só agora é que vocês me falam? Me deixaram pagar esse  mico, seus amigos da onça?! - e saiu furioso...


Fonte: Jornal dos Lagos

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A Ressurreição do morto


By Marília Cabral com ilustrações de Milton Kennedy!

Lá pelos finalmente dos gloriosos anos 60, minha família e eu morávamos, como sempre, na então Chácara do Chafariz, com frente para a Rua Ministro Salgado Filho e fundos para o Chafariz das Duchas. Éramos 5 irmãos sendo eu a primogênita, Raimundo, Eugênio, Ângela e o caçulinha Marcos. Uma tradicional família mineira com seus costumes de época,  pais severos, uma avó doente e um avô único que será tema de outros contos.
                   Um lindo sábado de verão com o sol ardendo, Raimundo, vulgo Dinho, entra esbaforido em casa com um pedido:
-Mãe, mãe,mãeeeeeeeeeeeeeeeeee, posso ir jogar bola no Pinheirinho com meus amigos?
Minha mãe nem pensou para responder:
-Não, e já vou explicar porque não, porque quem manda aqui sou eu e não vou deixar e pronto e acabou!
Dinho despencou a chorar e acenava e dizia:
-Mas mãe não tem perigo nenhum eu não vou passar nem perto do açudinho...
-Se falar mais uma palavra ainda vai ficar de castigo!
Dinho cabisbaixo juntou seu radinho e foi curtir fossa no quarto por um tempo.
                   Não se passaram 4 horas recebemos a notícia que chocou todos da rua, os 4 meninos que foram eram todos vizinhos e muito queridos, após o jogo resolveram nadar no açudinho e para nossa tristeza um deles se afogou. Os outros até tentaram ajudar, um deles até quase se afogou também, mas infelizmente ele se afundou e não voltou mais a tona, pois ficou preso em galhos. Naquela época não havia bombeiros ou mergulhadores, e os que se atreveram a mergulhar não conseguiram achá-lo. Veio então o Corpo de Bombeiros de Pouso Alegre e depois de muita agonia e de 3 dias de espera, acharam então o   Euclides  (nome fictício). Lembro-me que a tristeza era muito grande afinal era a primeira vez que perdíamos alguém tão próximo.
Conseguimos convencer minha mãe a nos deixar passar a noite no velório  que foi na casa dele. Aquela tristeza doía lá bem no fundo e por ali ficamos cabisbaixos e conversando sobre o acidente, as vezes na sala outras vezes sentados na beira da calçada.    Lá pelas duas da manhã a noite tinha esfriado e nos sentamos na sala, quando a mãe do Clidinho começou a dizer que ele estava se mexendo, que estava vivo, e que se chamasse um médico. Todos foram ficando assustadíssimos e um cochichava com o outro e virou um burburinho só da criançada.
De repente o caixão começou um nhéeeeeeeeeeeeeeeeeeec  e só vimos  as pernas do Clidinho se levantando e flores voando para todos os lados. Adivinha quem ficou dentro da casa? Ninguém, nem a família dele. Era molecada pulando janela, pulando mureta, parecia um estouro de manada, mas era um estouro de molecada. Peguei nas mãos de dois de meus irmãos e gritava para o outro correr, e corremos muito. Chegamos em casa sem fôlego acordando meu pai, homem sem cisma que de nada tinha medo.
- Acorda pai que o Clidinho não morreu, corre pai ele se levantou do caixão, vai lá procê ver!
                   Meu pai coçou os olhos, colocou os óculos, pensou...e falou sério:
-Se não foi ele que morreu fomos nós então...Deve ser a ressurreição dos mortos!
Mas levantou-se e lá foi ele rua afora de pijama, entrou na casa e viu que o Clidinho estava com os joelhos dobrados assim como tinha ficado os três dias dentro d’água. A funerária foi chamada e o velório prosseguiu, mas claro sem a molecada, que durante muitos anos nem na porta da casa passava de tanto medo.


Aconteceu em Alfenas(MG).Caso Verídico com o nome trocado para proteger a família!

sábado, 7 de janeiro de 2012

Dia de Santos Reis em Alfenas!





 Olá meus queridos amigos alfenenses e alfenados convictos. Primeiramente minha saudação para nossos Reis Magos, santos de grande devoção em nosso terrinha! Viva os Santos Reis!!!!!Viva! Viva! Viva! Ontem dia 06/01/2012 estava acamada e com dois compromissos em nossa terrinha, pedi então a minha amiga Rosângela Martelli o favor de me substituir e quiçá fotografar e escrever uma matéria. Abaixo posto para vocês a primeira delas que foi o encontro das Folias de Reis! Bom final de semana a todos os conterrâneos e conterrantes! Com vocês minha amigaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa Rosângela Martelli:


No dia 06 de janeiro na igreja de Santos reis no bairro Santos Reis na cidade de Alfenas, aconteceu o encontro das folias de reis de Alfenas. Passaram pela igreja mais de 10 folias de reis para prestar homenagens. Foi com grande emoção que aconteceram as apresentações das folias. Essa cultura de folias de reis permanece viva em nossa querida cidade de Alfenas e muitos são os devotos dos reis Magos que vieram prestar homenagem ao Menino Jesus. Uma das companhias que se apresentou foi a do Sr. Jorge Lourenço já falecido, ela tem mais de 54 anos de tradição e seu sobrinho Antonio Lourenço há dois anos é o responsável pela folia e da continuidade na trajetória de seu tio com muita fé e devoção.




Fotos do Wanderlô Lopez

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Folia de Reis

Reprodução do blog http://miltonkennedy.blogspot.com

          Quando eu era garoto, apesar do medo que sentia, gostava muito de ver pelas ruas da cidade uma antiga tradição (que ocorre agora no período entre 25 de dezembro a 06 de janeiro) a Folia de Reis, com seus integrantes de roupas excessivamente coloridas, máscaras e bandeira.

Folia de Reis

         As Folias, ou companhias de Reis são formadas por três ‘bastiões’, representando os Reis Magos(*) e por músicos, que saem pelas ruas cantando e dançando para saudar o nascimento de Jesus.
          Conta a lenda que as máscaras se deve ao fato de que após a visita ao menino Jesus, os Reis Magos partiram anunciando o nascimento do Messias, e para não ser reconhecidos por Herodes, cobriam o rosto com uma máscara e divulgavam o advento através de canções.
        Aqui em Alfenas existe até um bairro com esse nome (ver postagem sobre Mário Giramundo), onde acontece uma grande festa com o encontro das Folias.
          Uma pena que esta tradição esteja acabando, pois a Festa de Santos Reis faz parte da nossa cultura.

(*)Mas quem eram estes personagens?
          O evangelista Mateus (Mat 2:1-12) relata a visita de ‘alguns’ Magos ao Menino Jesus e sua mãe Maria (José não é citado nesta passagem), o texto também fala explicitamente em ‘casa’ e não gruta.
        Os historiadores gregos, Herodoto e Xenofonte, informam-nos que os “magos” constituíam uma casta sacerdotal muito conceituada entre Medos e Persas, ocupando-se, sobretudo de medicina e astronomia (astrologia).
          O fato do serem “magos” os sacerdotes persas faz supor que tenham vindo da Pérsia. Porém, por serem astrólogos, supõe-se que eram da Caldéia.
         Seus nomes reais são desconhecidos. Beda (escritor inglês nascido em 673 e desencarnado em 735) é que os batizou de Gaspar, Melchior e Baltazar. 
          Também não sabe-se ao certo quantos eram: a tradição da igreja latina os limita a três, no entanto nas igrejas sírias e armênias julga-se que eram doze.
          Ofertaram a Jesus os seguintes presentes: ouro (simbolizando a Luz e Sabedoria), incenso (representando a devoção pessoal a Deus e aos homens) e mirra (significando o sacrifício e renúncia ao próprio eu).

Fonte de pesquisa: Sabedoria do Evangelho, 1º volume, de Carlos Torres Pastorino


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O Causo da Lagartixa



Por Pompéia Terezinha Machado Silva(e Tamburini)



            Chegando da terrinha, revigorada e cheia de lembranças de pessoas e causos de antigamente...

O causo que conto hoje aconteceu lá pelos idos de 1961... Dia da cidade em Alfenas – 15 de outubro – cidade cheia de “gente de fora” e o salão de minha mãe (Instituto de Beleza Brasília) lotado... Nessa época morávamos na Praça Getúlio Vargas, num casarão antigo, ao lado da banca de jornais do João Gama, a mesma casa onde as galinhas botavam ovos em nossos travesseiros...
Muito bem, foi lá o palco da “tragédia” anunciada...
Como todos devem se lembrar, no dia da cidade, além de várias festividades (desfile, inaugurações, etc) acontecia o ponto máximo: o BAILE DE ANIVERSÁRIO DA CIDADE....
Como disse, minha mãe trabalhou o dia todo e atendia a última freguesa (23:30hs mais ou menos)... baile começando, música tocando no Clube XV – freguesa difícil... minha mãe fazia e desfazia coques e mais coques... Nada agradava...
Como eu nunca ia dormir sem a minha mãe, estava eu a aguardar, rezando pra moça gostar logo do cabelo porque eu já não agüentava de sono...
Até que, por um milagre, ela gostou do coque: cheio de mechas, trabalhoso...
Porém, finalizando o trabalho (graças a Deus), do forro de esteira trançada, cai uma pequena lagartixinha... bem no meio do coque da... (não falo o nome porque ela é conhecida) e ninguém percebeu, só euzinha ali, quietinha e observando...




Terminando de espirrar o laquê, minha mãe pega o espelho pra mostrar o penteado por trás e, que lindo! A moça adorando, minha mãe também (afinal ia poder dormir), eis que pedem a minha opinião... Criança é espontânea e sincera, né?! Eu falei a verdade: “Tá bonito só que caiu uma lagartixinha no meio do seu coque!”
Minha mãe, desnorteada gritava: “É mentira! Ela tá brincando com você!”
Nunca vi uma pessoa ter tanto medo de lagartixa assim! Nem dente ela tem...
E a moça esperneava e puxava os cabelos...
Não me lembro se ela foi de coque ou de cabelos soltos mas o baile já corria solto quando ela saiu lá de casa...
E a minha mãe.... Até hoje eu me lembro de seu olhar em minha direção... decepção e ... “Você vai ver depois!”...
Viche! Fui dormir depressinha... sem ela mesmo! Afinal, estava com muito sono...
A lagartixa? - Ha, era só um filhotinho e assim que a moça puxou os cabelos ela caiu... Coitadinha!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

AMÉRICA FOOT-BALL CLUB DE ALFENAS EM 1916

Desejo a todos os meu amigos conterrâneos, conterrantes, simpatizantes um feliz ano de 2012, com muitas realizações para todos vocês. Que seja um ano abençoado para todos! Vamos começar esse ano publicando um texto do Jovany Sales Rey  sobre a história do América Futebol Clube. Espero que gostem. Minhas saudações a todos!

Marília Cabral



AMÉRICA FOOT-BALL CLUB DE ALFENAS EM 1916



Uma grande festa foi realizada em Varginha no dia 26 de março de 1916, em razão da visita do América Foot-Ball Club de Alfenas, assim publicado pelo jornal varginhense O MOMENTO (mantive a grafia original):
"Conforme estava anunciado, realizou-se domingo último (26), o interessante e almejado match amistoso entre as valorosas equipes do América Foot-Ball Club, da próspera cidade de Alfenas e a do Varginha Sport Club, desta localidade.
A hora do mixto, que por aqui passa às 11 horas, grande massa de povo afluiu à gare da Rede Sul Mineira para apresentar boas vindas aos dignos filhos da cidade amiga. Ali se achavam todas as classes e corporações representando nossa sociedade em geral. De todas as fisionomias um expontâneo sorriso se desprendia, traduzindo o eloquente entusiasmo que a todos dominava.
O trem, com atraso de 50 minutos, já começava a impacientar com sua demora, o crescido número do povo que a gare, extremamente pequena, não podia abrigar dos cálidos e ardentes raios do super-astro em pleno meio dia.
Precisamente, às 12 horas, mais ou menos, apareceu lá no alto, cortando o vento e devorando o espaço com fúria infernal, a locomotiva, coleando galhardamente a cauda que a precedia. poucos minutos depois, o comboio entrava, manso e submisso, contido pela massa humana. Nesse instante, música, fogos, vivas, urras, tudo enfim se confundia, tocando às raias do entusiasmo.
Um imponente prestito foi organizado para acompanhar os distintos pleyers de Alfenas até a residência do tenente Alberto Mornes, onde foram hospedados. O prestito obedecia à seguinte ordem, na frente viam-se os três lindos pendões do Brasil, Portugal e Itália, em seguida, um modesto mas expressivo estandarte do Varginha Sport Club, conduzido pela graciosa senhorita Cenira Silva e ladeado de um grupo numeroso de moças, filhas das mais distintas famílias da nossa sociedade; em terceiro plano vinham os simpáticos foot balleres vizinhos, seguidos dos nossos, todos precedidos da excelente filarmônica União Varginhense, regida pelo maestro tenente José Augusto de Lima.
A porta da casa destinada a abrigar os ilustres visitantes, o talentoso médico e empolgante orador nosso patrício dr. Manoel Rodrigues, usando da palavra em nome do nosso club e do povo de Varginha, saudou aos excelentes pleyers, rendendo-lhes, em frases eloquentes e expressivas, as homenagens devidas. Às suas palavras respondeu, em nome do América de Alfenas, o ilustre advogado dr. Almeida Magalhães, nosso prezado colega do Archivo daquela cidade.

NO GROUND
De conformidade com a prévia resolução tomada pelas respectivas diretorias, o jogo foi marcado para às 15 horas. À chuva, impiedosa mata-prazeres, ainda não havia exibido a sua tristonha carranca. Durante o dia, nuvens espaçadas cortavam o horizonte, em marcha lenta, como que se espreguiçando na imensidade do espaço, retidas pela poderosa influência dos raios solares. Mas, pouco a pouco, a abóbada se foi tornando negra, assumindo um aspecto lúgubre e pavoroso, tomando de assalto a alegria que reinava em todos os corações, convertendo-a em profunda indignação contra tão impropícios caprichos da natureza.
E a chuva caiu torrencial. O campo perde o seu aspecto festivo. As demarcações características do jogo, desaparecem, e o entusiasmo decresse em todos os espíritos.
Felizmente, às 15:30h o sol de novo apareceu e em breve o horizonte ficou desempedido, claro às vistas, com promessas de benignidade. A essa hora já havia relativa assistência no ground e a luta teve início.
O entusiasmo cresceu de novo em todos os assistentes, não só pelo efeito do jogo como pela bondade do tempo. Com a chuva, o campo tornara-se escorregadiço, dificultando muito aos rápidos "passes" e movimentos de ambos.

OS TEAMS
Estavam assim organizados: Alfenas: Rizo, Ildefonso, Rolim, Clenan, A. Jordão, A. Silveira, Nico, Luiz, Alex, Ettore e Palmeira. Reservas: A. Luiz, Galdino e Moysés. Varginha: Gomes, Toinho, J. Reis, Chair, Macalé, Lúcio, A. Figueiredo, Orlando, Jordão (cap.), Azedo e Prado. Reservas: Ladário, Cortez, Rosa, Moraes e Mário.
Referee (Árbitro): George Cox

Aos 15 minutos de haver começado o jogo, apesar da resistência oposta pelos backes, o América conseguiu o goal, marcando um ponto. O primeiro half-time correu com normalidade notável em match de tanta importância.
O Varginha Sport Club cometeu durante este tempo, algumas penalidades de "corner", porém a defesa foi sempre galharda; pois que, embora eles fossem bem tirados, o inimigo não se pode valer deles para fazer o goal. Chegada a hora regulamentar, o juiz deu por terminado o primeiro half-time, como o seguinte resultado: América 1x0 Varginha.
Após 10 minutos de intervalo o referee dá sinal e cada jogador retoma a sua posição. Mostra-se o jogo agora com mais entusiasmo e toma um aspecto bem diverso ao do 1º tempo. O Varginha Sport Club, dominado desde o início pelo América, reforça sua atividade, e assim, consegue dominar o adversário em toda a linha.
Infelizmente não conseguiu o goal, mais por falta de sorte que por imperícia, pois que, aproveitando os ótimos passes do Affonso, o Jordão por várias vezes atravessou a linha dos backes, conseguindo chegar com a bola até a porta do goal.
Ambos os teams estavam constituidos de elementos superiores, estabelecendo um certo equilíbrio, atestado pelo resultado final que foi de 1x0. Entre os jogadores do América, na nossa modesta opinião, destacavam-se o goal-keeper, o captain e o meia-extrema esquerda.
Dentre os jogadores de Varginha, destacavam-se o Affonso que, como sempre, jogou admiravelmente; o Macalé, apesar de doente e ter machucado um braço e o Orlando, que impressionou a assistência pelo seu arrojo, pela perfeita tática que mostrou, desenvolvendo um jogo belíssimo, como não esperávamos. O Chair muito se esforçou e fez o quanto pode à medida de seu alcance.
Em geral, todos estavam bons, mas notamos muita falta de training em alguns jogadores do Varginha, o que se não percebia em seus adversários. A luta terminou com a vitória do América pelo score de 1x0.
A noite houve uma imponente soirée dançante no Theatro Municipal, oferecida por nossa sociedade aos valentes pleyers de Alfenas, a que concorreu seleta e animadora assistência. Logo ao início se fez ouvir a palavra empolgante do consagrado tribuno dr. Walfrido S. dos Mares Guia, que, em breve alocução, saudou aos homenageados deixou claro o intuito dos festejos de que estavam sendo alvo, qual o de estreitar e cultivar os liames de amizade e simpatia que unem as duas frações sociais, unindo os dois povos, os dois municípios para o engrandecimento de ambos.
Sucedeu-lhe o dr. Almeida Magalhães que, com palavras comovidas, pandas de eloquência, agradeceu em nome dos filhos de Alfenas à prova de simpatia e de afeto que lhes dispensava o povo desta terra, tão bem traduzida nas expressões de seu representante. As últimas palavras do orador, foram recebidas com estrepitosa salva de palmas. A soirée prolongou-se até alta madrugada.

REGRESSO
No dia seguinte, à hora do trem mixto, que por aqui passa às 13 horas, inúmeras pessoas afluiram à gare para apresentar suas despedidas aos nossos gentilíssimos e prezados hóspedes.
Por essa ocasião houve troca de expressões significativas da fraternidade existente entre os dois povos. Em dado momento, srta. Cinira Silva, constituida representante do nosso belo-sexo, ofereceu em nome deste, um lindo ramalhete de flores naturais ao América F. C. na pessoa de seu Presidente sr. Altino Luz, como humilde recordação de sua estadia nesta cidade, ao que respondeu o representante do esporte alfenense com frases que bem traduziam a eloquente gratidão que lhe envolvia a alma.
Quando o trem deu partida, todos os corações rangeram nos gonzos da saudade, dessa saudade magnifica e dolorosa que deixa o adieu de um povo excessivamente bom, cujos feitos contidos nos limites da boa educação, deixam após, rastros luminosos e indeléveis."
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