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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Velha Paineira

Velha Paineira (Antônio Tiburcio)




  • Velha paineira de altaneiro porte,
    Cuja copada tanta gente abriga,
    andam tramando contra a tua sorte,
    Andam tramando, minha velha amiga.

    Eu sempre te quis bem, desde menino,
    À tua sombra brinquei, bem descuidado;
    Arrepia-me pensar no teu destino,
    Tombar aos golpes rudes de um machado.

    Será por seres velha nisso importe
    O mal para que a morte te persiga?
    - Derrubem-na! É importuna! Que se corte!
    Há por aí quem queira e quem o diga.

    Cuidaddo, pois, oh velha companheira
    De minha infância e até dos meus amores!
    Defende-te, suplico-te, paineira,
    Defende-te cobrindo-te de flores!

    Talvez que assim coberta de roupagem
    Maravilhosa que te enfeita tanto,
    Ao verdugo lhe falte a atroz coragem
    De mutilar tão majestoso encanto.

    Qual tapete de neve esparramando,
    Depois das flores tu terás a pâina
    Que as maritacas abrirão parlando,
    Em algazarra, em barulhenta fâina!

    Recobre-te de flores, fruots, folhas,
    Defende a tua vida benfazeja,
    Para que, assim, aquele a quem acolhas,
    Te queira bem, te ame e te proteja!

    A tua vida é um padrão de glória,
    Porque em cem anos que tu tens de idade
    Testemunhaste toda nossa história,
    Acompanhando a vida da cidade!

domingo, 27 de novembro de 2011

Cartinha a Jesus (Antônio Tiburcio


  •    
    Querido Deus

    Nessas ligeiras linhas que eu mesmo as escrevi conforme pude,
    Venho Lhe contar toda a minha triste história dessa vida rude.
    Eu nasci sem ao menos ter tido alguém a quem chamar de pai,
    Hoje, órfão perdido, minha história por aí se vai.
    Bem que procuro, mas não acho um meio de ser feliz, sem ter a quem amar,
    Um materno regaço, um amigo seio onde eu possa a cabeça repousar.
    Não me importa, Jesus, o frio que sinto, minhas calças em trapos, os pés no chão,
    Não me humilha também, e não Lhe minto, eu de porta em porta a estender a mão.
    Pelo Natal, ao bimbalhar dos sinos, quando Noel espalha mil presentes,
    Não me invejo de ver outros meninos com seus brinquedos, todos sorridentes.
    Não, Senhor Deus, eu juro, tudo aguento porque tenho esperança no Senhor,
    Por ser menino não se perde o alento, é preciso ter fé no Seu amor.
    Eu nunca Lhe escrevi nem pedi nada, essa é a primeira carta entre nós dois,
    E o Senhor que é tão bom, tão camarada, não vai deixar meu caso pra depois.
    Futilidades de menino rico não servem pra mim, vê lá, quem diz!
    Acostumei a ser pobre, pobre eu fico, só quero um jeito de ser mais feliz.
    Só quero que o Senhor me mande urgente, assim que receber essa cartinha,
    Aquilo que eu direi o meu maior presente, para alegrar minha alma coitadinha.
    Terminando, permita que eu Lhe peça aquilo que eu mais quero e é tudo enfim:
    Eu quero a minha mãe, mande-a depressa, e que nunca se aparte mais de mim!
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