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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Homenagem à Mério Rodrigues Alves

Texto de Alcione Oliveira e desenho de Milton Kennedy

Mério Rodrigues Alves Vida Viva


"Alfenas amanheceu de luto... Partiu senhor Mério!
Deixa agora os alfenenses para continuar o seu trabalho maravilhoso do outro lado da vida.
Seu trabalho não pode parar...Colônias Espirituais o aguardam para com sua alegria, bom ânimo e luta incessante, ajudar no alívio de muitas dores.
Seu semblante calmo e tranquilo é prova de que por aqui o seu dever foi cumprido.
Seu nome fica registrado na história de alfenas e em nossos corações.
Vai senhor Mério, sua luz é intensa, ilumine outros mundos... Brilhe eternamente!
O senhor será sempre "Vida Viva" em nossos corações e por toda a eternidade, um viva à sua vida!
Que o meu carinho o acompanhe nessa nova jornada!"



Mério Rodrigues Alves foi fundador e presidente da Associação dos voluntários Vida Viva, entidade de apoio a pacientes com câncer, que oferece estrutura para projetos de assistência gratuita aos portadores do câncer de Alfenas e região.
Quer colaborar com a entidade (ou pedir ajuda)? Acesse o site da Vida Viva e saiba como: http://www.vidavivaalfenas.org.br

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Um corpo no carro

         Hoje apresentamos um causo hilário e verídico (resgatado pelo colega Benedito Benaquim, que presenciou o fato), e ilustração do colaborador Milton Kennedy.

Um corpo no carro - Variant

Em noite calma de 1976 a única situação que movimentava a noite na Praça Getúlio Vargas era o término da missa, na maioria das vezes celebrada pelo padre Luiz, e o trailer de lanches que ficava no largo da Matriz São José e Dores.
Enquanto a missa se desenvolvia, lá fora em frente à casa da dona Dorfila Leite, tinha um carro verde (Variant), com placa de São Paulo, com um corpo dentro, encoberto por um lençol azul. Uma corda amarrada no pescoço e na maçaneta. Tinha outra corda que circundava a vitima e o prendia ao banco.
Muitos que passavam olhavam com certa desconfiança, mas seguiam. Virou tumulto mesmo depois que a missa terminou. Senhoras zelosas e afligidas com a situação do pobre coitado naquela circunstância e ninguém chamava a polícia, era um absurdo!
O Hotel Paraíso não tinha estacionamento. Os hóspedes começaram e a se aglomerarem nas janelas. De repente a polícia chegou em seu indefectível “fusquinha”. O dono da Variant aparece também (estava no Hotel Paraíso). Enquanto só as pessoas olhavam, ele se divertia lá da janela, mas com a polícia era diferente, necessitava de esclarecimentos. Afinal de contas ali estava um corpo.
Tudo foi esclarecido ao abrir o carro: o corpo era imagem do “Nosso Senhor dos Passos”. O sujeito vendia imagens de santos. 
Tudo esclarecido, tudo volta à rotina. Kkkkkkkkk

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Dona Zita Engel Ayer

Hoje reproduziremos postagem publicada no blog de nosso colaborador Milton Kennedy, que presta uma modesta homenagem a Dona Zita Engel Ayer. E se você também conhece alguma história sobre esta grande mulher, conte pra gente, deixe seu comentário ao final do post.

Já mencionei outras vezes que uma das seções que mais aprecio aqui no blog é retratar em desenhos personalidades que se destacaram em Alfenas, e hoje de modo especial fico muito feliz, pois a homenageada é Zita Engel Ayer, uma mulher iluminada.

Zita Engel Ayer

Dona Zita, preocupada com os mais carentes (e inspirada pelo Plano Espiritual) juntamente a um grupo de voluntários fundou o SARAI, Serviço de Assistência e Recuperação do Adulto e da Infância (leia mais no box abaixo), assim como foi a criadora e coordenadora do Centro Espírita que funciona junto do SARAI. Criou ainda a Associação Alfenense de Alcoólicos Anônimos e Ala-Anon (congregando familiares de alcoólicos).
Mulher dinâmica, incansável trabalhadora do bem, foi vereadora por dois mandatos. Casada com Elysio Ayer, teve 11 filhos. Fez seu retorno ao Plano Espiritual em setembro de 1989. 

SARAI Alfenas MG

     O SARAI, fundado em 1962, trabalhava com as necessidades básicas da época tais como: distribuição de alimentos, roupas, remédios, encaminhamento de consultas médicas, fornecimento de aparelhos ortopédicos e auditivos, amparo a carentes, hansenianos e tuberculosos. Sempre assistindo as famílias, idosos, crianças, jovens e gestantes.
     Há uma cena muito comovente quando da edificação de sua sede por centenas de voluntários (a maioria carentes), onde uma mãe aparece em meio a multidão, segurando o filho em um braço e no outro carrega um tijolo para a construção desta Casa de Luz (ver foto e vídeo).
     Nos anos 90 foi criado o programa Lar-Escola CAZITA (Casa da Criança e do Adolescente Zita Engel Ayer) com o trabalho mais voltado a criança e ao adolescente em situação de vulnerabilidade, e ao atendimento psicossocial às famílias e gestantes em situação de risco.
     Localizada na área central de Alfenas, seu público provém de diversos bairros de população de baixa renda da cidade. Atualmente conta com os seguintes recursos humanos: 38 voluntários atuantes (Oficinas Beija-Flor e Fios e Desafios) e 10 funcionários celetistas (oficinas, administrativos, pedagógicos, cozinha e serviços gerais). Para conhecer mais o trabalho desta entidade visite o site http://www.sarai.org.br.

Fontes de pesquisa:
Jornal dos Lagos, 11/10/2008
Site http://www.sarai.org.br

domingo, 1 de julho de 2012

Quermesses Juninas

Olá amigos, hoje recordaremos através do texto de Roberto Luiz Silva Gomes (e ilustração de Milton Kennedy), as tradicionais quermesses juninas que aconteciam em frente à Igreja de Nª Sª Aparecida. E se você também tiver alguma lembrança bacana daquela época, após ler o texto deixe seu comentário contando suas lembranças.

"Lembro-me das quermesses juninas que se realizavam em frente à igreja da Matriz de Nossa Senhora Aparecida, hoje Praça Tereza Carvalho. O piso era de terra batida, os festeiros escolhidos dentre aqueles de frequência assídua aos atos religiosos de famílias tradicionais. 
Haviam as barracas de leilões de prendas (perus, frangos, leitoas, assados e envoltos com pão de queijo), embalados em papel celofane e numa bandeja de papelão, muitos feitos sob encomenda para o famoso quitandeiro da época "Zé da Nega". Junto às prendas acompanhava uma garrafa de vinho, sem esquecer os licores. 

Festas Juninas

O leiloeiro assim expressa: Quem dá mais?! Quem dá mais?!, Dou-lhe uma, dou-lhe duas..., a prenda foi arrematada ali pelo "Coroné" fulano de tal. E os cartuchos ! Que maravilha ! Eram confeccionados em cartolina envoltos com papel crepom (verdadeiras obras de arte), muitos deles parecia uma árvore de natal, cada um mais bonito que o outro, recheados de guloseimas (pé de moleque, balas de coco, doce de leite...), e outros recheados de broas, brevidades, biscoitinhos secos, rosquinhas de nata..., nós crianças ficávamos deslumbradas com tanto colorido. 
Haviam também as barracas de tiro ao alvo, jogos de argola, barraca do coelhinho, a mais concorrida pela criançada. Havia também o " Coreto", onde o professor e maestro Sr. Eurico Hayden com toda maestria apresentava a "Banda Musical", executando marchinhas e dobrados que enchia de alegria e euforia a todos que lá estavam . 

Santo Antônio, São João e São Pedro

Nesta época as barracas eram cobertas por sapé (capim). Lembro que uma delas pegou fogo (caiu uma faísca de rojão), foi um corre-corre daqueles para apagar o incêndio. 
Após o "terço" dedicado ao santo padroeiro, sendo os atos cerimoniais administrados pelo saudoso vigário Pe. José Grimmink, se apresentava na quermesse com sua indumentária característica, batina preta serrilhada de botões, que começava no colarinho indo até aos pés. 
Haviam também o fogueteiro que nos intervalos da "Banda", soltava os " rojões de vara", era um show de luzes. A festança durava uma semana, sendo que no ultimo dia realizava-se o leilão de gado (doações dos sitiantes e fazendeiros), em lugar específico. 
Ficou em minha memória essa lembrança de minha infância".


Roberto Luiz Silva Gomes


terça-feira, 8 de maio de 2012

O Benfeitor

Boa tarde a todos! Estive meio ausente por força de cinscunstâncias, mas retorno hoje com um causo do Luiz Carlos Esteves, alfenense da gema, mora em Pouso Alegre! Abraços




Como aqui é um ponto de encontro de amigos, vou compartilhar meu inicio de vida profissional, pra vcs verem como nosso Destino esta marcado...









Como aqui é um ponto de encontro de amigos, vou compartilhar meu inicio de vida profissional, pra vcs verem como nosso Destino esta marcado...

Me formei em 1976, 18 de Dezembro..dia 20 me mandei pra Sao Paulo com duas "canastras"..uma de livros e outra de roupas e coisas pessoais, tinha ajustado um emprego numa Clínica na Freguesia do Ó, onde trabalharia, comeria e dormiria na Clinica, então me mandei com cara e coragem e sem dinheiro...rs
Chegando la, qual não foi minha surpresa, o dono da clínica havia arrumado outro Dentista, q trabalharia por um preço mais barato do q tinhamos combinado; e ele me disse: o q posso fazer por vc é te levar no trevo da Fernão Dias pra vc pegar uma carona...
E la fui eu, com 2 malas enormes, 3 hs da tarde pedir carona pra voltar pra casa..
Ja tarde consegui uma carona num caminhão, que ao chegar no trevo de Pouso Alegre, o motorista disse q dormiria ali no posto, e eu?...bem, peguei uma circular q me informaram passaria as 22,30 com a turma q saia da Alpargatas..e fiquei la no fundo ate o ponto final
Ao descer do onibus vi um Dormitório bem em frente, bati, ja era tarde..um senhor me atendeu e informou q so teria uma cama num quarto com 3, onde 2 ja estavam la..aceitei
Era 2 adeptos do hare krishna, q entoavam um mantra qdo entrei no quarto..
Não conseguindo dormir, me levantei e fui procurar a cozinha, encontrei um senhor de idade "pitando um cigarro de paia", perguntei se tinha um cafe, me serviu e ficamos proseando....contei minha historia..e ele me disse: Olha, semana passada teve um acidente, e faleceu um Dentista aqui da Cidade, conheço o pai dele...pq vc nao vai la e ve se ele nao te aluga o consultorio dele?
e assim fiz, no outro dia fui la no endereço q ele me deu, bati e o senhor me atendeu, contei o ocorrido e ele me disse: Olha, espera um pouquinho aqui....e entrou
Depois de uns minutos, voltou com um chave e me disse, toma..pode ficar pra vc, não tenho pra quem deixar isso...vc somente paga o aluguel qdo vencer, mas fica com tudo pra vc...
Fiquei muito surpreso, aceitei e insisti q quando pudesse o pagaria pelo consultorio
E assim no dia 21 de Dezembro de 1976 começei a trabalhar em Pouso Alegre, onde eu nunca imaginei em trabalhar...em Março de 1977 vendi o consultorio a um colega, paguei o meu benfeitor e pude comprar ja um consultorio novo..e aqui estou eu ate hj...
As vezes a vida nos leva......

sábado, 14 de abril de 2012

O cheiro do mingau de fubá me persegue!


Boa tardeeeeeee! Trazendo hoje para vocês um texto da Thais Moura! Grandes lembranças! Thais muito obrigada pelo texto!


O cheiro do mingau de fubá me persegue!


Por Thaïs Moura







Eram frias... Muito frias as manhãs geladas que me acompanhavam em direção ao Grupo Escolar Cel. José Bento. Também pudera... Uniforme de tergal composto de saia pregueada e poncho vermelho com dois pompons de lã. Ó meu Deus, porque na minha infância ainda não tinham inventado o moletom? Pernas congeladas choramingavam por massagem materna com arnica...
Porém o mais frio era o “não” da cantineira ao entrar na fila da merenda.
Os coleguinhas, filhos dos mais “abastados” levavam biscoitos caseiros e pão de lót. Os outros da periferia tinham o mingau de fubá, a macarronada e a canjiquinha.
E nesse mundo restava o contentamento do pão com manteiga frio e constante.
A variação ocorria quando eu pulava na pasta de cadernos e fazia um misto “quente” com aquele pão e me vangloriava...
Maçã? Só quando se ficava doente ou tinha um parente na capital que a trazia... Eu guardava o papel roxo debaixo do travesseiro para simplesmente me satisfazer com o aroma e sonhar. Mas antes de dormir, clamava a Deus para ser rica e poder comer uma maçã todos os dias.
Hoje não como maçã. Tem um gosto horrível de isopor e trai as minhas tão tenras lembranças!


Éramos felizes!


(Lembranças)












Thais Moura é filha da Prof. Lígia e Prof. Alaor,  pessoas que me trazem lindas lembranças da adolescência. Mora em Belo Horizonte, graduada  em comunicação social e com MBA em Gestão de Pessoas, trabalha na Caixa Econômica Federal.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Waldir de Luna Carneiro

        Hoje reproduzimos postagem publicada no blog de nosso colaborador Milton Kennedy, cujo propósito é prestar uma modesta homenagem a grande contador de histórias: Waldir de Luna Carneiro.


         "Esta é uma das seções do blog que aprecio muito fazer: retratar em desenhos personalidades conhecidas de Alfenas. E hoje o homenageado é o escritor, jornalista, leitor voraz e eterno apaixonado por teatro, Waldir de Luna Carneiro, que com mais de 60 anos dedicado à dramaturgia, possui dezenas de peças escritas e outras tantas encenadas.

Waldir de Luna Carneiro

O Sr Waldir é natural de Santa Rita do Sapucaí (07/03/1921), porém adotou Alfenas como sua casa em 1938. Quando jovem, trabalhou com arquitetura e no período que serviu a Força Expedicionária Brasileira (no Rio de Janeiro) desenhava histórias em quadrinhos satirizando os momentos difíceis do quartel.
Waldir de Luna Carneiro é um dos nomes mais homenageados do teatro mineiro. Em 2002 foi agraciado pelo Governo de Minas Gerais com a “Medalha da Inconfidência” por seus trabalhos no campo da literatura e dramaturgia; e em 2005 recebeu o título de “Doutor Honoris Causa” pela Unifenas (yeah, eu tive a honra de estar presente nesta homenagem).
Viúvo da professora Zélia Amaral Carneiro, tem sete filhos, e apesar de já ter passado um pouco dos 90 anos, continua lúcido, ativo e ainda escrevendo para teatro e jornais.

Filme O levante das saias

Curiosidade: o Sr Waldir já escreveu de tudo: comédias, dramas, contos, livros infantojuvenis e até roteiros para cinema. O filme “O levante das saias” de 1967 é de sua autoria. Este longa metragem foi todo rodado aqui em Alfenas e o tema gira em torno da revolta das mulheres em relação aos seus maridos."

Fontes de pesquisa para composição do texto:
http://jeffersondafonseca.blogspot.com
www.parceirosdolivro.com.br
www.new.divirta-se.uai.com.br

terça-feira, 13 de março de 2012

Raio devastador


Impressionante o conto verídico da Mirtes Esteves Carneiro, mas uma vez ela me fez chorar. Sei que todos gostarão muito!


Por Mirtes Esteves Carneiro com ilustrações de Milton Kennedy

Vistos atos uma tribuzana!

O número sete acompanhou a vida do casal Esteves: Silvério e Maria. Casaram-se no dia 7 de fevereiro de 1953, em Aparecida do Norte. Exatamente sete anos depois, no dia 7 de fevereiro de 1960, um grande acontecimento marcou a vida deste casal.

Silvério e Maria constituiam uma vida em comum e nesta data contavam com quatro filhos: Luiz Carlos, Miriam, Carlos Henrique e João Batista, respectivamente com 5, 4,  3 e 1 ano de idade.

Eles moravam em uma fazenda bastante distante da cidade e não havia vizinhos por perto. Era uma tarde de domingo, chuvosa, com muitos relâmpagos e raios. Silvério estava ausente, cuidando do gado. Maria tinha muito medo de tempestades, e uma tribuzana se anunciava. Reunindo seus filhos, Maria rezava junto à Nossa Senhora Aparecida, que foi presente de Silvério, quando eles se casaram. Era uma imagem de porcelana.
Silvério estava no pasto, caía uma chuva fina. De repente ele viu um raio caindo na casa e a fumaça saindo. Apavorado, desceu a galope e, ao tentar desmontar  o cavalo muito depressa, seu pé enfiou pra dentro do estribo e cutucou o cavalo que saiu andando, arrastando-o ainda com uma perna dependurada no arreio.
Aproximando-se, visualizou uma grande fumaça se levantando de dentro de seu lar. Ao entrar, viu que as crianças estavam caídas no chão, muito machucadas.
O raio deixou vestígios por dentro da casa, marcando com um sinal azulado por onde havia passado. Tijolos foram arrancados, a casa ficou quase completamente destruída. A imagem de Nossa Senhora fora projetada para fora da casa e não se quebrou, jazia abandonada ao lado de uma galinha morta, com os pintinhos duros embaixo das asas, esturricada pelo raio.
Os batentes das portas foram lançados longe, um deles atingindo a cabeça de um de seus filhos, Luiz Carlos, que sangrava muito. Carlos Henrique ficou com a metade esquerda do corpo toda queimada, em pele viva e também ‘engoliu a língua’, sendo dado por morto.
Silvério, em sua praticidade masculina disse à esposa: desista deste, vamos salvar os outros.
Mas a mãe não desiste, insiste. Consegue trazê-lo novamente à vida, abrindo sua boca que estava fortemente cerrada e puxando sua língua com uma colher.
A filha do casal, Miriam caiu de joelhos com o impacto do raio e ficou presa ao chão, sem conseguir se levantar.
O caçula, João Batista foi fortemente atingido pelos estilhaços de um espelho, que estava dentro da porta de um guarda-roupas e que fora lançada contra a parede. Seu corpo ficou todo lanhado pelos cacos do espelho.
               Maria, felizmente, nada sofreu. O casal socorria as crianças como podia, não havia vizinhos onde moravam. Silvério solicitou a Maria que fosse pedir ajuda.
          Maria atendeu, montou em seu cavalo e saiu. Mas...chegando ao alto do morro, ouvindo outro estalo, seu pensamento de mãe não a deixou ir, algo em seu coração não a deixou partir, seus filhos e seu marido estavam ali, ela foi incapaz de abandoná-los para ir buscar ajuda, pois pensou que ao voltar poderia encontrar todos mortos . Retornou então e implorou ao marido que fossem embora todos juntos. Assim fizeram, pegaram as crianças e o que foi possível e partiram em busca de ajuda, deixando para trás a casa completamente arruinada.

Na cidade, a família foi buscar ajuda médica e as crianças necessitavam de remédios. Silvério foi até a farmácia comprar os medicamentos e, como não tinha dinheiro em espécie, perguntou ao farmacêutico se poderia pagar no dia seguinte, na segunda feira, mas recebeu em resposta uma recusa. O valor da conta era de 500 cruzeiros. Então, Silvério ofereceu ao farmacêutico um cheque em garantia, no valor de toda a féria do mês, na época 12 mil cruzeiros. O farmacêutico não aceitou. Silvério ofereceu todo o dinheiro contido no cheque em troca dos remédios, também não houve acordo.
         Silvério saiu angustiado e encontrou uma turma de homens em frente ao Cine Alfenas. Pediu licença e perguntou se algum deles poderia trocar o seu cheque. Disseram a ele que estava louco, trocar um cheque naquele valor, no domingo. Silvério contou o ocorrido e o Sr. Osvaldo Orsi retirou o dinheiro do bolso e deu a ele para que pagasse os remédios. Assim, já se dirigindo à farmácia com o dinheiro no bolso, Silvério foi interpelado pelo sr. Israel, dono de uma outra farmácia, que se ofereceu para lhe ceder os remédios. No final das contas, Silvério saiu de lá com os remédios, o dinheiro e o cheque no bolso. Este episódio  marca a solidariedade de uns e a falta dela em outro. Mas, louvável esta atitude do sr. Orsi e do sr. Israel, naquele momento tão difícil. Silvério creditou sua gratidão aos amigos até o fim de seus dias, repetindo esta história aos seus, que agora a passam adiante.
          As crianças ficaram na cidade para serem tratadas, a história chocou a cidade de Alfenas. As crianças eram visitadas por muitas pessoas e se tornaram o símbolo deste milagre que Silvério e Maria atribuíram à Nossa Senhora Aparecida. Menos de um ano depois, a família fez uma viagem à Aparecida do Norte, para agradecer a proteção de Nossa Senhora.
          Quem lhes conta é a filha deste casal, Mirtes Esteves Carneiro, ainda não nascida na época deste marcante acontecimento. Esta história é um fato que meus pais relatavam e retrata as dificuldades que todos os seres humanos passam, mas com fé e perseverança, tocam em frente, sempre em frente.
          Ah, finalmente... cresci ouvindo minha mãe dizer, sempre que se aproximava uma chuva forte: vistos atos uma tribuzana! Saía tampando os espelhos, queimava palha benta e reunia todos em um mesmo cômodo da casa.


         Até hoje não consegui saber o que significa vistos atos, mas desconfio que seja: a olhos vistos . Já tribuzana encontrei o significado: termo frequentemente utilizado no sul de Minas para designar chuva forte.
               (Termo usado no sul de Minas Gerais, na área rural de Alterosa, no final do século XIX e início do século XX), em www.dicionarioinformal.com.br

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Crônica de uma Ressaca Anunciada

Por Grilo Cambui com ilustração de Milton Kennedy.

                          Pra fugir do estresse que, hoje em dia, não poupa nem nós, cidadãos interioranos, um grupo de amigos, do qual faço parte, resolveu aceitar o convite de um nosso conterrâneo que escolheu Alfenas pra morar, para que lá fossemos passar um fim  de semana.
                            Era tardezinha de sexta-feira quando lá chegamos. Nosso amigo havia alugado um sìtio, a beira da represa, onde ficaríamos hospedados e onde faríamos ainda aquelas reuniões de que só os homens têm a capacidade de elucubrar. Os mais variados ‘’enes’’ de °GL seriam então ingeridos e misturados a uma comilança sem restrições. Uma verdadeira orgia gastro-intelectual.
                            Já com os devidos copos na mão, depois de colocarmos as fofocas/notícias em dia – quem duvida que homens também fofoquem?! – Discutimos de tudo. Política, trabalho,  cinema, literatura, televisão e futebol, esse último tema entre onze das dez rodas de homens pesquisadas.
                             Um de nossos amigos figura já folclórica por ser o maior e melhor em tudo e, por sorte do nosso anfitrião e minha sermos simpáticos ao mesmo time, contava suas vantagens. Vantagens que não se restringiam somente ao futebol mas em qualquer que fosse o embate. Para rebatê-lo dizíamos saber que ele era mesmo bom só no jogo de peteca. Lógico que ele se esquivava dessa menção.
                               Bebemos a noite inteira, a maioria na cerveja. Alguns bebiam vinho, outros, caipirinha e, este nosso personagem, só na cachacinha. Terminamos a noite ao sabor de uma iguaria que em nossa cidade carrega boa fama, macarrão com rã.
                                No outro dia, após rápida passagem por Alfenas para um café da manhã na padaria, voltamos ao sítio e novamente começamos as devidas saudações aos deuses da bebida e da gastronomia. Bebi cerveja por toda manhã e tarde ao som, como na noite anterior, de uma roda de samba. Nosso amigo, firme ainda na cachacinha, se revezava nos instrumentos e mostrava ter nenhuma intimidade com nenhum deles. Mesmo assim, considerava estar abafando, apesar dos protestos de todos.
No fim da tarde, como fiel roqueiro que sou, já não agüentando mais tal tortura(!), fui ouvir um sonzinho num dos carros dos amigos Um desses amigos, sabedor de que sou chegado num whisky 12 anos, trazia me uma dose, atiçando meu antigo hábito. Novamente viramos a madrugada, eu e minhas doses, meu amigo na pinguinha e os outros com seus copos ‘’furados’’ de cerveja.
                            A mistura me cobrou caro. No domingo, não podia me levantar e não passar mal. A ressaca de que era eu ciente, veio ‘’braba’’. Meu colega, o da pinguinha, agora portando um como com o mesmo whisky de que não dei conta da garrafa, me confrontava alegando ser ele, apesar de dez anos mais velho que eu, ter uma saúde de ferro, no que, devido a minha situação, começava a concordar com ele.
                          Resolvemos voltar para nossa terra. Mas antes, almoçaríamos em Fama. Nem o prato de traíra tão famoso, de que sou conhecedor, é claro, me fez sentir fome. Água me bastava e cabia naquele momento. Meu amigo, de novo com uma dose de pinga na mão se gabando de suas bem sucedidas estripulias alcoólicas me aconselhava a procurar um médico. É claro que não lhe dei atenção. Conheço, ou acho que conheço bem, meu organismo. Aquilo não passava de ter me consentido beber mais do que me era de costume, alem de ter misturado bebidas, primeira regra que sempre deve ser levada em conta.
                                   Dias depois em minha cidade, fiquei sabendo através de parente de nosso personagem que ele tinha sentido um ‘’pire-paque’’ e que os exames de TGO, TGP e Bilirubinas, feitos por ele, haviam dado alterações.

*Depois de consultar e se tratar, voltou a repetir suas mesmas atuações, no que alego a ele que seu médico fora milagroso e o devolvera à tenra idade dos dezesseis anos!!


                                                                                                                                                                                 Grilo



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A Ressurreição do morto


By Marília Cabral com ilustrações de Milton Kennedy!

Lá pelos finalmente dos gloriosos anos 60, minha família e eu morávamos, como sempre, na então Chácara do Chafariz, com frente para a Rua Ministro Salgado Filho e fundos para o Chafariz das Duchas. Éramos 5 irmãos sendo eu a primogênita, Raimundo, Eugênio, Ângela e o caçulinha Marcos. Uma tradicional família mineira com seus costumes de época,  pais severos, uma avó doente e um avô único que será tema de outros contos.
                   Um lindo sábado de verão com o sol ardendo, Raimundo, vulgo Dinho, entra esbaforido em casa com um pedido:
-Mãe, mãe,mãeeeeeeeeeeeeeeeeee, posso ir jogar bola no Pinheirinho com meus amigos?
Minha mãe nem pensou para responder:
-Não, e já vou explicar porque não, porque quem manda aqui sou eu e não vou deixar e pronto e acabou!
Dinho despencou a chorar e acenava e dizia:
-Mas mãe não tem perigo nenhum eu não vou passar nem perto do açudinho...
-Se falar mais uma palavra ainda vai ficar de castigo!
Dinho cabisbaixo juntou seu radinho e foi curtir fossa no quarto por um tempo.
                   Não se passaram 4 horas recebemos a notícia que chocou todos da rua, os 4 meninos que foram eram todos vizinhos e muito queridos, após o jogo resolveram nadar no açudinho e para nossa tristeza um deles se afogou. Os outros até tentaram ajudar, um deles até quase se afogou também, mas infelizmente ele se afundou e não voltou mais a tona, pois ficou preso em galhos. Naquela época não havia bombeiros ou mergulhadores, e os que se atreveram a mergulhar não conseguiram achá-lo. Veio então o Corpo de Bombeiros de Pouso Alegre e depois de muita agonia e de 3 dias de espera, acharam então o   Euclides  (nome fictício). Lembro-me que a tristeza era muito grande afinal era a primeira vez que perdíamos alguém tão próximo.
Conseguimos convencer minha mãe a nos deixar passar a noite no velório  que foi na casa dele. Aquela tristeza doía lá bem no fundo e por ali ficamos cabisbaixos e conversando sobre o acidente, as vezes na sala outras vezes sentados na beira da calçada.    Lá pelas duas da manhã a noite tinha esfriado e nos sentamos na sala, quando a mãe do Clidinho começou a dizer que ele estava se mexendo, que estava vivo, e que se chamasse um médico. Todos foram ficando assustadíssimos e um cochichava com o outro e virou um burburinho só da criançada.
De repente o caixão começou um nhéeeeeeeeeeeeeeeeeeec  e só vimos  as pernas do Clidinho se levantando e flores voando para todos os lados. Adivinha quem ficou dentro da casa? Ninguém, nem a família dele. Era molecada pulando janela, pulando mureta, parecia um estouro de manada, mas era um estouro de molecada. Peguei nas mãos de dois de meus irmãos e gritava para o outro correr, e corremos muito. Chegamos em casa sem fôlego acordando meu pai, homem sem cisma que de nada tinha medo.
- Acorda pai que o Clidinho não morreu, corre pai ele se levantou do caixão, vai lá procê ver!
                   Meu pai coçou os olhos, colocou os óculos, pensou...e falou sério:
-Se não foi ele que morreu fomos nós então...Deve ser a ressurreição dos mortos!
Mas levantou-se e lá foi ele rua afora de pijama, entrou na casa e viu que o Clidinho estava com os joelhos dobrados assim como tinha ficado os três dias dentro d’água. A funerária foi chamada e o velório prosseguiu, mas claro sem a molecada, que durante muitos anos nem na porta da casa passava de tanto medo.


Aconteceu em Alfenas(MG).Caso Verídico com o nome trocado para proteger a família!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Blog do nosso colaborador ganha troféu 'Kantinho Mágiko'

         Nosso colaborador Milton, recebeu em janeiro uma homenagem pelo trabalho que ele realiza em seu blog. Confiram abaixo a reprodução da postagem:

http://miltonkennedy.blogspot.com

         Em janeiro tive uma agradável surpresa que gostaria de compartilhar com todos que me acompanham, afinal vocês fazem parte deste êxito: o blog recebeu o troféu “Kantinho Mágiko”! Yeeeaaah!

Troféu Kantinho Mágiko

         Esta premiação, criada pela professora Márcia Raquel de Florianópolis, é uma forma de homenagear blogs comprometidos com a informação, ética e a magia de encantar seus seguidores. E eu estou super feliz pelo blog ter sido um dos escolhidos (foram oito sites contemplados).
Idealizado pela Márcia, o troféu confeccionado em madeira, trás a letra K representando o Grupo de Blogs da Kekel e uma simpática bruxinha (símbolo da cultura de Florianópolis), que também é conhecida como Ilha da Magia.
Valeu galera, esse reconhecimento é graças a vocês!

sábado, 14 de janeiro de 2012

Diálogo do Ujeca com o Milton Kennedy



Quando o Milton Kennedy resolveu conhecer a nascente do rio da unidade nacional, o rio São Francisco. Firmou o propósito de mostrar o Parque da Serra da Canastra pra família toda.
Os filhos arrumaram o tal GPS; seu Milton era avesso a certas novidades, achava tudo dificultoso e uma invencionice danada essa nova geração. O jipe relíquia que ficava na garagem, onde seu Milton fazia do seu escritório particular, fechado a sete chaves, uns com a boca mais afiada diziam que a garagem mais parecia uma Sacristia.
Naquele dia Milton kennedy olhou no relógio, deu seis e meia, levantou, chamou as crianças, pegou o jipe todo equipado e rasgou no asfalto sentido sul de Minas Gerais, mesmo armando tempo de chuva, fez questão de não atrasar um minuto. Nesse dia quis andar depressa pra chegar até no pico da Serra da Canastra, apontou no morro, lá avistava o mundo inteiro, não cansava de apreciar, dobrava morro e mais morro mais nunca acabaria a terra daquele lugar.
Meio distraído nem percebeu que havia saído do caminho. De longe avistou um sujeito, chegando perto ele devia ter uns trinta e quatro anos. Usava uma botina sete léguas, uma camisa laranja, uma calça jeans surrada e um chapéu de palha na cabeça, se aquilo podia chamar de chapéu; estava escrito UJECA.

- Bom dia, Amigo!
- Dia.
- Tudo bem por aqui?
- Tudu bão.
- O senhor, ou melhor, seu nome é Ujeca mesmo??
- Issu memo.
- Ô Ujeca podia me dar uma informação?
- Sí fo do meu arcance, nóis num medi isforço pra ajudá.
- Acho que sim. Este caminho é para o Parque da Canastra?
- Issu memu.
- Não tem erro não?
- Tem não é só sigui tuda vida.
- Muito longe?
- Mais ô menu.
- Como Mais ou Menos?
- Quanto tempo leva?
- Memu nus momentu dificir, dependi uai.
- Depende de quê?
- Dum tantu di coisa, uai!
- Ô Ujeca, tem uma encruzilhada pra frente, não tem?
- Puis é tem.
- Se eu for para o lado direito, eu chego lá?
- Ansim chega bem cedim.
- E se eu for para o lado esquerdo?
- Tumém chega.
- Ô Ujeca você esta de brincadeira comigo?
- To não.
Já irritado o Milton Kennedy sai queimando o chão e grita
-Ô Ujeca seu burro, Deus me livre!
Ujeca com toda sua calma responde de cá:
- Dispois us turista nem vorta pra gradicê. Mais perdidu eu num to!

Por Túlio Faria


sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Fumanchu

E hoje postarei uma matéria do blog do Milton Kennedy, seguindo a linha das figuras notáveis, folclóricas e históricas de Alfenas. Afinal Alfenas não teve em sua história uma figura mais caricata. Fumanchu é  amado por todos os alfenenses, que por ele tem um carinho especial. Quem quiser visitá-lo pode se dirigir ao Lar São Vicente de Paulo.  Por Milton Kennedy:


Chegamos a uma parte do blog que aprecio muito: a representação em desenho de personalidades notórias de Alfenas. Hoje quero apresentar um personagem que, apesar de não ser natural da cidade, é uma figura muito simpática e bastante conhecida pelos Alfenenses. 

Fumanchu Alfenas

Geraldo da Silva, o Fumanchu, vivia sempre na Praça Getúlio Vargas anunciando (com um cone de cartolina) os filmes que estavam em cartaz no saudoso Cine Alfenas.
Apesar de ser uma figura bem popular da cidade é difícil encontrar informações sobre o ele. Sua origem é desconhecida, e as poucas informações que consegui foram com Sr Tarcísio, do Lar São Vicente de Paulo, onde atualmente vive nosso folclórico Fumanchu.
No vídeo abaixo (de autoria de J. Bosco) é possível vê-lo nas dependências da “Conferência”.







Agradecimentos: Sr. Tarcísio (Lar São Vicente de Paulo) e ao repórter fotográfico, José Carlos Santanna (pelo envio da foto).


Atualização
Dia 21 de fevereiro de 2012, Fumanchu fez seu retorno ao Plano Espiritual. Em sua despedida compareceram menos de uma dúzia de pessoas. Abaixo reproduzo matéria do repórter fotográfico e amigo José Carlos Santana, que trás modesta homenagem do professor Clóvis Pereira, a este filho adotivo de Alfenas.


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