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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Um corpo no carro

         Hoje apresentamos um causo hilário e verídico (resgatado pelo colega Benedito Benaquim, que presenciou o fato), e ilustração do colaborador Milton Kennedy.

Um corpo no carro - Variant

Em noite calma de 1976 a única situação que movimentava a noite na Praça Getúlio Vargas era o término da missa, na maioria das vezes celebrada pelo padre Luiz, e o trailer de lanches que ficava no largo da Matriz São José e Dores.
Enquanto a missa se desenvolvia, lá fora em frente à casa da dona Dorfila Leite, tinha um carro verde (Variant), com placa de São Paulo, com um corpo dentro, encoberto por um lençol azul. Uma corda amarrada no pescoço e na maçaneta. Tinha outra corda que circundava a vitima e o prendia ao banco.
Muitos que passavam olhavam com certa desconfiança, mas seguiam. Virou tumulto mesmo depois que a missa terminou. Senhoras zelosas e afligidas com a situação do pobre coitado naquela circunstância e ninguém chamava a polícia, era um absurdo!
O Hotel Paraíso não tinha estacionamento. Os hóspedes começaram e a se aglomerarem nas janelas. De repente a polícia chegou em seu indefectível “fusquinha”. O dono da Variant aparece também (estava no Hotel Paraíso). Enquanto só as pessoas olhavam, ele se divertia lá da janela, mas com a polícia era diferente, necessitava de esclarecimentos. Afinal de contas ali estava um corpo.
Tudo foi esclarecido ao abrir o carro: o corpo era imagem do “Nosso Senhor dos Passos”. O sujeito vendia imagens de santos. 
Tudo esclarecido, tudo volta à rotina. Kkkkkkkkk

domingo, 12 de fevereiro de 2012

De médico e louco...



Por JÚLIO CÉSAR DA PAZ             
Radialista, Maestro e professor de arte

Os dois moços atravessaram a mão inglesa, sentido
Igreja Matriz, após um agradável café na lanchonete
da praça. Júlio trazia consigo um caderno de partituras e uns CDs eruditos. Guilherme portava sua preciosa câmera fotográfica, que só deixava seu ombro - onde vinha à tiracolo - para fotografar uma curiosidade ou uma cena digna de suas lentes importadas.
Ao fim de uma animada conversa, quando já ensaiavam a despedida, deram de cara com a Sônia, que veio ao encontro de ambos, sorridente, com ar de festa.
Ao encontrar os dois, Soninha (assim a chamam) pôs-se a conversar com Júlio sobre um projeto que seria  realizado ali, dentro de poucos minutos; enquanto Guilherme, sisudo e com ar de intelectual, estudava o entorno à procura de um flagrante para suas novas lentes.
Em poucos minutos de conversa, a moça explicou que estava aguardando um gesto de seu assistente para iniciarem a gravação de um vídeo para a TV, cujo conteúdo  seria a apresentação da UTI móvel do hospital, uma inovação na área de saúde. Para isso, sua equipe preparou uma encenação. Enquanto ainda falava, um rapaz lá do outro lado da rua fez sinal com as mãos, que foi respondido afirmativamente por Soninha.
Não demorou muito, um Citröen prata, dirigido por uma garota, fez a curva, entrando na mão inglesa e atingindo  em cheio um rapaz que atravessava a rua com sua pasta de estudante sob o braço direito. Pânico geral!
Os transeuntes e a garotada, que descansava à sombra de uma árvore, correram em socorro do moço, que jazia  inconsciente no chão.
Guilherme, que ouvira o estrondo, num reflexo pôs a câmera de lado (algo raro!) e saltou para frente, deixando seu  espírito solidário ditar as ordens, sem, contudo, prestar atenção  aos amigos que tentavam lhe explicar a farsa.
Intrometido, o rapaz que estudara medicina foi em direção ao acidentado, tomou-lhe o pulso e gritou para o povo que se aglomerava:

- Todo mundo para trás! O acidente foi grave, não estão vendo? Já estudei para médico e sei o que estou fazendo. Alguém aí, ligue para o hospital, urgente!... - tomou de novo o pulso do rapaz inconsciente e falou: -O moço está quase sem batimentos. Liguem já para os bombeiros! Façam alguma coisa, pelo amor de Deus!!
O pessoal da TV estava em cima, filmando a cena burlesca que estava fora do script. Soninha e Júlio se entreolhavam. Não havia o que fazer a não ser esperar.

E eis que surge a UTI. A multidão em volta abriu caminho. O carro entrou e os paramédicos, vestidos como extraterrestres, desceram com equipamentos ultramodernos.
Agora sim! Guilherme podia passar o bastão aos homens competentes e se gabar de ter cumprido a  missão de samaritano. Falou a um dos médicos:
- Cuidado! A batida foi violenta e o cara não está nada bem! Vocês sabem, né? Fiz cinco anos de Medicina  e chequei a situação: a coisa vai mal! - levantou-se e veio ao encontro dos amigos, que continham-se para não rir.
- Viram?! Como é que se pode andar tranquilo nesta cidade? É descuidar um pouco e ser atropelado. Se não fosse um bom cristão ligar para o hospital e pedir socorro...
 Aliás, perceberam a rapidez desses médicos? - Guilherme, você não viu nada de estranho nesta ação toda? - perguntou Sônia, esboçando um sorriso malicioso.
- Que quer dizer com estranho?
- O acidente; a rapidez com que esse pessoal chegou até aqui; a UTI móvel do hospital; a TV presente no local...?
- Claro que percebi! Mas, o que isso tem a ver?!
- Tudo isso era apenas uma simulação para mostrar a agilidade da UTI móvel adquirida pelo hospital.
- Ah, meu Deus! Só agora é que vocês me falam? Me deixaram pagar esse  mico, seus amigos da onça?! - e saiu furioso...


Fonte: Jornal dos Lagos
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