domingo, 29 de janeiro de 2012

Alfenas na coluna de José Simão


          Pela terceira vez um antigo bordel de  Alfenas é mencionado em artigo de José Simão, colunista da Folha de São Paulo. A primeira citação ocorreu em 03 de fevereiro de 2010, a segunda em 06 de outubro de 2011, e a recente referência foi em 24 de janeiro de 2012. Ver imagens abaixo (clique para ampliar):


Artigo publicado em 03/02/2010

artigo publicado em 06/11/2011
Artigo publicado em 24/01/2012

          O que Simão talvez desconheça é que, desde 2006 o antigo casarão conhecido como “Maria Macaca”, de propriedade de Maria Aparecida Ferreira, foi transformado em um Centro Vocacional Tecnológico (CVT), que busca combater a exclusão digital e social, assim como gerar emprego, renda e contribuir para a melhoria de vida da população a partir da capacitação profissional.
          Uma excelente semana a todos, e aguardamos comentários ;)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A lenda dos crisântemos (Antônio Tiburcio)





Esta estória singulá
Que agora vô lhes contá
É cheia de muito amô:
É a lenda dos crisantemo,
Essa frô que sempre vemo
Em todos jardim de frô.

A estória vem do sertão,
Nasceu de uma devoção,
Com muita fé, muito amô;
E essa frô que que nun ixistia,
Pro mode a Virge Maria,
Crisantemo se virô!





No sertão, onde eu morava,
Tinha um cabra que gostava
Da sua noiva como que;
Chamava-se ela Rosinha,
A moça mais bunitinha
Que eu cheguei a cunhecê!

Sebastião, o noivo dela,
Contava muita rodela,
Pro mode daquele amô:
Que das muié que ixistia,
Nenhuma delas valia
Um dedo daquela frô.

Todo mundo se babava
Quando o Sebastião passava
Abraçado c'o a cabôca;
Paricia inté feitiço,
Eu que nada tinha c'o isso,
Ficava c'água  na boca.

Um amô cumo esse, anssim
Maginava eu cá pra mim,
Só memo Deus pra juntá;
Graças à Virge Maria
As bençãos do céu caía
Pro sobre aquele casá.

Ela era tão religiosa,
Devota tão frevorosa
Da Virge Santa Maria!
Tinha artá no quarto dela,
Que quarto!? Era uma capela,
De tanto santo que havia!

Todas minhã a Rosinha
Rumava pra capelinha
Da sirvintia do arraiá;
Ia pidi à Nossa Senhora
Que o home que mais adora
Pudesse c'o ele casá.

A santa quasi falava
Quando no artá jueiava
A Rosinha pra rezá;
A image quase bulia,
Parecendo que queria
C'o a Rosinha cunversá.

A seca e uma febre brava,
Pelo sertão se alastrava
E apanhô o Sebastião.
E a doença era tão forte
Que paricia que da morte
Num havia escapulição.

Rosinha saiu ligeira
E à sua Santa padruera
Suas mágoa foi reclamá:
- Sinhora, que coisa horrive!
Ficá sem ele é impussive,
Eu num posso cuncordá!

- Tem dó de mim, dá um jeitinho!
Vancê que é um amorzinho,
Cunversa o Nosso Sinhô.
Vancê que os meus passo guia,
Cunversa, Virge Maria,
Pra num levá meu amô!

-Vancê, minha Santa Virge,
Pode pidi, pedi, ixigi,
Pinitência que quisé.
Que eu cumpro cum sastifaçaõ,
Mas, sarve o meu Sebastião,
Venho cramá nos seus pé!

A santa, cumpadecida,
Vendo a moça endoidecida,
Chorando de tanta dô,
Resorveu entrá no meio,
Desceu do céu, daí veio
Oxiliá aquele amô!

- Vancê, minha Santa Virge,
Pode pidi, pede, ixige,
Pinitência que quisé,
Que eu cumpro cum sastifaçaõ,
Mas, sarve o meu Sebastião,
Venho cramá nos seus pé!

A Santa, cumpadecida,
Vendo a moça endoidecida,
Chorando de tanta dô,
Resorveu entrá no meio,
Desceu do céu, daí veio
Oxiliá aquele amô!

Falô: -  Rosinha, asseguro,
Vô entrá nisso, tá duro
Prá liviá teu coração;
Tô vendo vancê atendida,
Vô pidí uns ano de vida
Pro teu querido Bastião.

Santo Antônio é meu amigo,
Eu cum mais ele consigo
Convencê Nosso Sinhô;
Mais, si ele dá pinitência,
Vancê cumpre, tem paciência,
Pelo amô do seu amô!

- De juêio nessa hora,
Lhe juro, Nossa Sinhora,
Custe a pena que custá!
Eu, pro mode do Bastião,
Este afrito coração
Sô capaiz de intá arrancá!

Lhe disse a Virge Maria:
- Vancê vorta aqui ôtro dia,
A resposta vem sabê;
Santo Antônio tá mexendo,
Parece que já tô vendo
Nosso Sinhô lhe atendê.

Dois óio da sertaneja,
Quanda saía da igreja,
Uns pingo d'água rolô;
Sua fé lhe deu valia,
E chorava de aligria
Pensando no seu amô!

Passô a noite rezando
Tava a minhã despontando
Foi que, entonce, ela parô;
No céu inda tinha estrela
Quando dentro da capela
Os pé a Rosinha ponhô!

Ante à image, de mão posta
Foi sabê quar a resposta
Do pidido que ela feiz;
- Cum perdão, Virge Maria,
Me tira dessa agunia,
Fala logo de uma veiz!

Carma, Rosinha, paciência,
Vô te contá a pinitência
Que Nosso Sinhô exigiu:
Num é fárci não. Capaiz.
Mas eu sei que vancê faiz;
Vancê cumpre tudo, viu?

Vancê vai, percura, anda
Uma frô pra todas banda,
Percura sem discansá;
Conde ocê tivé incontrado,
Trais ela aqui com cuidado,
Bota aqui nos pé do artá.

- Imbora seja difice,
Foi Ele mermo que disse,
Que prá prová teu amô,
A coisa tá resurvida:
Ele dá os ano de vida
Quantas péta tivé a frô.

Tá nas tua mão, pois, a sorte,
A questão de vida ou morte
Do teu querido Bastião;
Eu, daqui, fico rezando,
E os teus passos vô guiando
C'o a maió sastifação.

Rosinha saiu correndo,
O coraçaõ remoendo
Na maió das afrição.
Prá todas banda que andava
Um sór de brasa queimava
Esturricando as prantação!

Improrô de porta em porta,
Mais, cadê frô? Tudo morta
Nos jardim da povoação;
E, inconte procurava,
A seca mais omentava,
Fazendo devastação!

Despois de andá muitos dia,
Bem longe da friguizia,
Uma roseira incontrô:
Só uma rosa desfoiando.
Rosinha, desesperando,
Só cinco péta contô!

Só cinco, meu Deus é pôco!
Meu coração já tá lôco,
Eu num posso cuncordá!
O tempo passa vuando,
Parece que tô enxergando
Oa cinco ano passá! ...

Na rosêra requeimada
Oiava a frô, revortada,
Sem corage de apanhá;
- Cinco ano passa dipressa...
Pois num cumpro essa promessa,
Num vale a pena casá!

Num cumprí? Que coisa feia!
Lhe veio  intonce uma idéia
Que o isprito iluminô:
Cum jeito, divagarinho,
Baxô o gaio com carinho,
E a frô cum jeito apanhô.

Inconte veio vortando,
C'um grampo, repinicando,
As péta murtipricô:
Contô cinquenta, setenta,
Só conde interô noventa
Foi que a rosinha parô!

Sastifeita, aliviada,
No artá da Imaculada
A rosa depositô.
De tanta que era a aligria,
Cantava, chorava e ria,
Pensando no seu amô!

A santa que tudo via,
Feiz que nada sabia,
Ficô bem quieta, aceitô.
Piscô os óio pra Rosinha,
Disfarçô uma risadinha
E todas péta contô.

Falô pra ela: - rosinha,
Que frô mais engraçadinha,
Eu nunca vi dessa frô!
Vai lá pra junto dele,
Vancê vai casá cum ele,
Ele agora já sarô!

Pro mode do seu amado
Vancê feiz esse pecado,
Dessa frô ripinicá;
A farta num vale nada,
Pode ficá discansada,
Inté eu fazia iguá!

Do santo oiá de Maria,
Inconte isso dizia,
Os óio d'água se encheu;
A cumpaixão era tanta
Que dos oinho da santa
Dois pingo d'água desceu!

As duas lágrima caída
Sobre as péta repartida
Daquela frô esparramô,
E a frorzinha, dali memo,
Fico sendo CRISANTEMO,
Nessa frô se transformô.

Em vorta da capelina
O Bastião mais a Rosinha
Prantô um canteiro de frô;
Cravos, violeta, sôdade,
Frô de todas qualidade,
Roseras de todas cô.

Passô-se o tempo e essa estória
Vem de memória em memória
De moradô em moradô;
A lenda já nem tem era,
A casa virô tapera,
Só o jardinzinho ficô.

Faça a seca que fizé,
A terra vira sapé,
Morre tudo de calô;
Mais, naquele jardinzinho,
Os crisantemo, verdinho,
Tá sempre cheio de frô!

domingo, 15 de janeiro de 2012

Residência do Dr Emílio Soares da Silveira

         Uma bela casa, simulando o estilo normando, lamentavelmente já demolida. Ficava localizada ao lado do pátio da Igreja Matriz São José e Dores (Praça Getúlio Vargas). Em seu lugar foi construída uma conhecida loja de departamentos =( 









sábado, 14 de janeiro de 2012

Diálogo do Ujeca com o Milton Kennedy



Quando o Milton Kennedy resolveu conhecer a nascente do rio da unidade nacional, o rio São Francisco. Firmou o propósito de mostrar o Parque da Serra da Canastra pra família toda.
Os filhos arrumaram o tal GPS; seu Milton era avesso a certas novidades, achava tudo dificultoso e uma invencionice danada essa nova geração. O jipe relíquia que ficava na garagem, onde seu Milton fazia do seu escritório particular, fechado a sete chaves, uns com a boca mais afiada diziam que a garagem mais parecia uma Sacristia.
Naquele dia Milton kennedy olhou no relógio, deu seis e meia, levantou, chamou as crianças, pegou o jipe todo equipado e rasgou no asfalto sentido sul de Minas Gerais, mesmo armando tempo de chuva, fez questão de não atrasar um minuto. Nesse dia quis andar depressa pra chegar até no pico da Serra da Canastra, apontou no morro, lá avistava o mundo inteiro, não cansava de apreciar, dobrava morro e mais morro mais nunca acabaria a terra daquele lugar.
Meio distraído nem percebeu que havia saído do caminho. De longe avistou um sujeito, chegando perto ele devia ter uns trinta e quatro anos. Usava uma botina sete léguas, uma camisa laranja, uma calça jeans surrada e um chapéu de palha na cabeça, se aquilo podia chamar de chapéu; estava escrito UJECA.

- Bom dia, Amigo!
- Dia.
- Tudo bem por aqui?
- Tudu bão.
- O senhor, ou melhor, seu nome é Ujeca mesmo??
- Issu memo.
- Ô Ujeca podia me dar uma informação?
- Sí fo do meu arcance, nóis num medi isforço pra ajudá.
- Acho que sim. Este caminho é para o Parque da Canastra?
- Issu memu.
- Não tem erro não?
- Tem não é só sigui tuda vida.
- Muito longe?
- Mais ô menu.
- Como Mais ou Menos?
- Quanto tempo leva?
- Memu nus momentu dificir, dependi uai.
- Depende de quê?
- Dum tantu di coisa, uai!
- Ô Ujeca, tem uma encruzilhada pra frente, não tem?
- Puis é tem.
- Se eu for para o lado direito, eu chego lá?
- Ansim chega bem cedim.
- E se eu for para o lado esquerdo?
- Tumém chega.
- Ô Ujeca você esta de brincadeira comigo?
- To não.
Já irritado o Milton Kennedy sai queimando o chão e grita
-Ô Ujeca seu burro, Deus me livre!
Ujeca com toda sua calma responde de cá:
- Dispois us turista nem vorta pra gradicê. Mais perdidu eu num to!

Por Túlio Faria


sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Fumanchu

E hoje postarei uma matéria do blog do Milton Kennedy, seguindo a linha das figuras notáveis, folclóricas e históricas de Alfenas. Afinal Alfenas não teve em sua história uma figura mais caricata. Fumanchu é  amado por todos os alfenenses, que por ele tem um carinho especial. Quem quiser visitá-lo pode se dirigir ao Lar São Vicente de Paulo.  Por Milton Kennedy:


Chegamos a uma parte do blog que aprecio muito: a representação em desenho de personalidades notórias de Alfenas. Hoje quero apresentar um personagem que, apesar de não ser natural da cidade, é uma figura muito simpática e bastante conhecida pelos Alfenenses. 

Fumanchu Alfenas

Geraldo da Silva, o Fumanchu, vivia sempre na Praça Getúlio Vargas anunciando (com um cone de cartolina) os filmes que estavam em cartaz no saudoso Cine Alfenas.
Apesar de ser uma figura bem popular da cidade é difícil encontrar informações sobre o ele. Sua origem é desconhecida, e as poucas informações que consegui foram com Sr Tarcísio, do Lar São Vicente de Paulo, onde atualmente vive nosso folclórico Fumanchu.
No vídeo abaixo (de autoria de J. Bosco) é possível vê-lo nas dependências da “Conferência”.







Agradecimentos: Sr. Tarcísio (Lar São Vicente de Paulo) e ao repórter fotográfico, José Carlos Santanna (pelo envio da foto).


Atualização
Dia 21 de fevereiro de 2012, Fumanchu fez seu retorno ao Plano Espiritual. Em sua despedida compareceram menos de uma dúzia de pessoas. Abaixo reproduzo matéria do repórter fotográfico e amigo José Carlos Santana, que trás modesta homenagem do professor Clóvis Pereira, a este filho adotivo de Alfenas.


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Casarão dos Lomonte

Postado por Cícero Landre no Facebook, Grupo Alfenas é coisa nossa
Com direito a Poema do Benedicto Cyrillo. 


As Seis Palmeiras do Sobrado - Alfenas - 1954


"Já escrevemos: o tempo é inexorável
e os homens... fáceis à destruição.

Ao lado do casarão dos Lomonte,
na rua Conêgo José Carlos,
defronte à lateral do Club XV,
seis palmeiras saudavam a cidade,
sua praça, seus cidadãos.
Saudavam...
as seis palmeiras tombaram ao chão
e passavam a fazer parte de um tempo da nossa história.
Aqui e ali, lembradas em versos
por poetas inconformados com a frieza humana."


(Teatro de 55 anos - João Luiz Lacerda)



Palmeiras! Seis palmeiras do sobrado!...
Elegantes, altivas, altaneiras,

Vós me fazeis lembrar o meu passado,

Palmeiras do sobrado, seis palmeiras.

Da minha infância, o quadro já esquecido,
Em vos vendo, porém, volta risonho...
E tinge-se de novo colorido,
Aureolado de luz, como num sonho..."

("Estradas de rosas" - Benedicto Cyrillo)





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