sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Fumanchu

E hoje postarei uma matéria do blog do Milton Kennedy, seguindo a linha das figuras notáveis, folclóricas e históricas de Alfenas. Afinal Alfenas não teve em sua história uma figura mais caricata. Fumanchu é  amado por todos os alfenenses, que por ele tem um carinho especial. Quem quiser visitá-lo pode se dirigir ao Lar São Vicente de Paulo.  Por Milton Kennedy:


Chegamos a uma parte do blog que aprecio muito: a representação em desenho de personalidades notórias de Alfenas. Hoje quero apresentar um personagem que, apesar de não ser natural da cidade, é uma figura muito simpática e bastante conhecida pelos Alfenenses. 

Fumanchu Alfenas

Geraldo da Silva, o Fumanchu, vivia sempre na Praça Getúlio Vargas anunciando (com um cone de cartolina) os filmes que estavam em cartaz no saudoso Cine Alfenas.
Apesar de ser uma figura bem popular da cidade é difícil encontrar informações sobre o ele. Sua origem é desconhecida, e as poucas informações que consegui foram com Sr Tarcísio, do Lar São Vicente de Paulo, onde atualmente vive nosso folclórico Fumanchu.
No vídeo abaixo (de autoria de J. Bosco) é possível vê-lo nas dependências da “Conferência”.







Agradecimentos: Sr. Tarcísio (Lar São Vicente de Paulo) e ao repórter fotográfico, José Carlos Santanna (pelo envio da foto).


Atualização
Dia 21 de fevereiro de 2012, Fumanchu fez seu retorno ao Plano Espiritual. Em sua despedida compareceram menos de uma dúzia de pessoas. Abaixo reproduzo matéria do repórter fotográfico e amigo José Carlos Santana, que trás modesta homenagem do professor Clóvis Pereira, a este filho adotivo de Alfenas.


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Casarão dos Lomonte

Postado por Cícero Landre no Facebook, Grupo Alfenas é coisa nossa
Com direito a Poema do Benedicto Cyrillo. 


As Seis Palmeiras do Sobrado - Alfenas - 1954


"Já escrevemos: o tempo é inexorável
e os homens... fáceis à destruição.

Ao lado do casarão dos Lomonte,
na rua Conêgo José Carlos,
defronte à lateral do Club XV,
seis palmeiras saudavam a cidade,
sua praça, seus cidadãos.
Saudavam...
as seis palmeiras tombaram ao chão
e passavam a fazer parte de um tempo da nossa história.
Aqui e ali, lembradas em versos
por poetas inconformados com a frieza humana."


(Teatro de 55 anos - João Luiz Lacerda)



Palmeiras! Seis palmeiras do sobrado!...
Elegantes, altivas, altaneiras,

Vós me fazeis lembrar o meu passado,

Palmeiras do sobrado, seis palmeiras.

Da minha infância, o quadro já esquecido,
Em vos vendo, porém, volta risonho...
E tinge-se de novo colorido,
Aureolado de luz, como num sonho..."

("Estradas de rosas" - Benedicto Cyrillo)





sábado, 7 de janeiro de 2012

Dia de Santos Reis em Alfenas!





 Olá meus queridos amigos alfenenses e alfenados convictos. Primeiramente minha saudação para nossos Reis Magos, santos de grande devoção em nosso terrinha! Viva os Santos Reis!!!!!Viva! Viva! Viva! Ontem dia 06/01/2012 estava acamada e com dois compromissos em nossa terrinha, pedi então a minha amiga Rosângela Martelli o favor de me substituir e quiçá fotografar e escrever uma matéria. Abaixo posto para vocês a primeira delas que foi o encontro das Folias de Reis! Bom final de semana a todos os conterrâneos e conterrantes! Com vocês minha amigaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa Rosângela Martelli:


No dia 06 de janeiro na igreja de Santos reis no bairro Santos Reis na cidade de Alfenas, aconteceu o encontro das folias de reis de Alfenas. Passaram pela igreja mais de 10 folias de reis para prestar homenagens. Foi com grande emoção que aconteceram as apresentações das folias. Essa cultura de folias de reis permanece viva em nossa querida cidade de Alfenas e muitos são os devotos dos reis Magos que vieram prestar homenagem ao Menino Jesus. Uma das companhias que se apresentou foi a do Sr. Jorge Lourenço já falecido, ela tem mais de 54 anos de tradição e seu sobrinho Antonio Lourenço há dois anos é o responsável pela folia e da continuidade na trajetória de seu tio com muita fé e devoção.




Fotos do Wanderlô Lopez

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Folia de Reis

Reprodução do blog http://miltonkennedy.blogspot.com

          Quando eu era garoto, apesar do medo que sentia, gostava muito de ver pelas ruas da cidade uma antiga tradição (que ocorre agora no período entre 25 de dezembro a 06 de janeiro) a Folia de Reis, com seus integrantes de roupas excessivamente coloridas, máscaras e bandeira.

Folia de Reis

         As Folias, ou companhias de Reis são formadas por três ‘bastiões’, representando os Reis Magos(*) e por músicos, que saem pelas ruas cantando e dançando para saudar o nascimento de Jesus.
          Conta a lenda que as máscaras se deve ao fato de que após a visita ao menino Jesus, os Reis Magos partiram anunciando o nascimento do Messias, e para não ser reconhecidos por Herodes, cobriam o rosto com uma máscara e divulgavam o advento através de canções.
        Aqui em Alfenas existe até um bairro com esse nome (ver postagem sobre Mário Giramundo), onde acontece uma grande festa com o encontro das Folias.
          Uma pena que esta tradição esteja acabando, pois a Festa de Santos Reis faz parte da nossa cultura.

(*)Mas quem eram estes personagens?
          O evangelista Mateus (Mat 2:1-12) relata a visita de ‘alguns’ Magos ao Menino Jesus e sua mãe Maria (José não é citado nesta passagem), o texto também fala explicitamente em ‘casa’ e não gruta.
        Os historiadores gregos, Herodoto e Xenofonte, informam-nos que os “magos” constituíam uma casta sacerdotal muito conceituada entre Medos e Persas, ocupando-se, sobretudo de medicina e astronomia (astrologia).
          O fato do serem “magos” os sacerdotes persas faz supor que tenham vindo da Pérsia. Porém, por serem astrólogos, supõe-se que eram da Caldéia.
         Seus nomes reais são desconhecidos. Beda (escritor inglês nascido em 673 e desencarnado em 735) é que os batizou de Gaspar, Melchior e Baltazar. 
          Também não sabe-se ao certo quantos eram: a tradição da igreja latina os limita a três, no entanto nas igrejas sírias e armênias julga-se que eram doze.
          Ofertaram a Jesus os seguintes presentes: ouro (simbolizando a Luz e Sabedoria), incenso (representando a devoção pessoal a Deus e aos homens) e mirra (significando o sacrifício e renúncia ao próprio eu).

Fonte de pesquisa: Sabedoria do Evangelho, 1º volume, de Carlos Torres Pastorino


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O Causo da Lagartixa



Por Pompéia Terezinha Machado Silva(e Tamburini)



            Chegando da terrinha, revigorada e cheia de lembranças de pessoas e causos de antigamente...

O causo que conto hoje aconteceu lá pelos idos de 1961... Dia da cidade em Alfenas – 15 de outubro – cidade cheia de “gente de fora” e o salão de minha mãe (Instituto de Beleza Brasília) lotado... Nessa época morávamos na Praça Getúlio Vargas, num casarão antigo, ao lado da banca de jornais do João Gama, a mesma casa onde as galinhas botavam ovos em nossos travesseiros...
Muito bem, foi lá o palco da “tragédia” anunciada...
Como todos devem se lembrar, no dia da cidade, além de várias festividades (desfile, inaugurações, etc) acontecia o ponto máximo: o BAILE DE ANIVERSÁRIO DA CIDADE....
Como disse, minha mãe trabalhou o dia todo e atendia a última freguesa (23:30hs mais ou menos)... baile começando, música tocando no Clube XV – freguesa difícil... minha mãe fazia e desfazia coques e mais coques... Nada agradava...
Como eu nunca ia dormir sem a minha mãe, estava eu a aguardar, rezando pra moça gostar logo do cabelo porque eu já não agüentava de sono...
Até que, por um milagre, ela gostou do coque: cheio de mechas, trabalhoso...
Porém, finalizando o trabalho (graças a Deus), do forro de esteira trançada, cai uma pequena lagartixinha... bem no meio do coque da... (não falo o nome porque ela é conhecida) e ninguém percebeu, só euzinha ali, quietinha e observando...




Terminando de espirrar o laquê, minha mãe pega o espelho pra mostrar o penteado por trás e, que lindo! A moça adorando, minha mãe também (afinal ia poder dormir), eis que pedem a minha opinião... Criança é espontânea e sincera, né?! Eu falei a verdade: “Tá bonito só que caiu uma lagartixinha no meio do seu coque!”
Minha mãe, desnorteada gritava: “É mentira! Ela tá brincando com você!”
Nunca vi uma pessoa ter tanto medo de lagartixa assim! Nem dente ela tem...
E a moça esperneava e puxava os cabelos...
Não me lembro se ela foi de coque ou de cabelos soltos mas o baile já corria solto quando ela saiu lá de casa...
E a minha mãe.... Até hoje eu me lembro de seu olhar em minha direção... decepção e ... “Você vai ver depois!”...
Viche! Fui dormir depressinha... sem ela mesmo! Afinal, estava com muito sono...
A lagartixa? - Ha, era só um filhotinho e assim que a moça puxou os cabelos ela caiu... Coitadinha!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

AMÉRICA FOOT-BALL CLUB DE ALFENAS EM 1916

Desejo a todos os meu amigos conterrâneos, conterrantes, simpatizantes um feliz ano de 2012, com muitas realizações para todos vocês. Que seja um ano abençoado para todos! Vamos começar esse ano publicando um texto do Jovany Sales Rey  sobre a história do América Futebol Clube. Espero que gostem. Minhas saudações a todos!

Marília Cabral



AMÉRICA FOOT-BALL CLUB DE ALFENAS EM 1916



Uma grande festa foi realizada em Varginha no dia 26 de março de 1916, em razão da visita do América Foot-Ball Club de Alfenas, assim publicado pelo jornal varginhense O MOMENTO (mantive a grafia original):
"Conforme estava anunciado, realizou-se domingo último (26), o interessante e almejado match amistoso entre as valorosas equipes do América Foot-Ball Club, da próspera cidade de Alfenas e a do Varginha Sport Club, desta localidade.
A hora do mixto, que por aqui passa às 11 horas, grande massa de povo afluiu à gare da Rede Sul Mineira para apresentar boas vindas aos dignos filhos da cidade amiga. Ali se achavam todas as classes e corporações representando nossa sociedade em geral. De todas as fisionomias um expontâneo sorriso se desprendia, traduzindo o eloquente entusiasmo que a todos dominava.
O trem, com atraso de 50 minutos, já começava a impacientar com sua demora, o crescido número do povo que a gare, extremamente pequena, não podia abrigar dos cálidos e ardentes raios do super-astro em pleno meio dia.
Precisamente, às 12 horas, mais ou menos, apareceu lá no alto, cortando o vento e devorando o espaço com fúria infernal, a locomotiva, coleando galhardamente a cauda que a precedia. poucos minutos depois, o comboio entrava, manso e submisso, contido pela massa humana. Nesse instante, música, fogos, vivas, urras, tudo enfim se confundia, tocando às raias do entusiasmo.
Um imponente prestito foi organizado para acompanhar os distintos pleyers de Alfenas até a residência do tenente Alberto Mornes, onde foram hospedados. O prestito obedecia à seguinte ordem, na frente viam-se os três lindos pendões do Brasil, Portugal e Itália, em seguida, um modesto mas expressivo estandarte do Varginha Sport Club, conduzido pela graciosa senhorita Cenira Silva e ladeado de um grupo numeroso de moças, filhas das mais distintas famílias da nossa sociedade; em terceiro plano vinham os simpáticos foot balleres vizinhos, seguidos dos nossos, todos precedidos da excelente filarmônica União Varginhense, regida pelo maestro tenente José Augusto de Lima.
A porta da casa destinada a abrigar os ilustres visitantes, o talentoso médico e empolgante orador nosso patrício dr. Manoel Rodrigues, usando da palavra em nome do nosso club e do povo de Varginha, saudou aos excelentes pleyers, rendendo-lhes, em frases eloquentes e expressivas, as homenagens devidas. Às suas palavras respondeu, em nome do América de Alfenas, o ilustre advogado dr. Almeida Magalhães, nosso prezado colega do Archivo daquela cidade.

NO GROUND
De conformidade com a prévia resolução tomada pelas respectivas diretorias, o jogo foi marcado para às 15 horas. À chuva, impiedosa mata-prazeres, ainda não havia exibido a sua tristonha carranca. Durante o dia, nuvens espaçadas cortavam o horizonte, em marcha lenta, como que se espreguiçando na imensidade do espaço, retidas pela poderosa influência dos raios solares. Mas, pouco a pouco, a abóbada se foi tornando negra, assumindo um aspecto lúgubre e pavoroso, tomando de assalto a alegria que reinava em todos os corações, convertendo-a em profunda indignação contra tão impropícios caprichos da natureza.
E a chuva caiu torrencial. O campo perde o seu aspecto festivo. As demarcações características do jogo, desaparecem, e o entusiasmo decresse em todos os espíritos.
Felizmente, às 15:30h o sol de novo apareceu e em breve o horizonte ficou desempedido, claro às vistas, com promessas de benignidade. A essa hora já havia relativa assistência no ground e a luta teve início.
O entusiasmo cresceu de novo em todos os assistentes, não só pelo efeito do jogo como pela bondade do tempo. Com a chuva, o campo tornara-se escorregadiço, dificultando muito aos rápidos "passes" e movimentos de ambos.

OS TEAMS
Estavam assim organizados: Alfenas: Rizo, Ildefonso, Rolim, Clenan, A. Jordão, A. Silveira, Nico, Luiz, Alex, Ettore e Palmeira. Reservas: A. Luiz, Galdino e Moysés. Varginha: Gomes, Toinho, J. Reis, Chair, Macalé, Lúcio, A. Figueiredo, Orlando, Jordão (cap.), Azedo e Prado. Reservas: Ladário, Cortez, Rosa, Moraes e Mário.
Referee (Árbitro): George Cox

Aos 15 minutos de haver começado o jogo, apesar da resistência oposta pelos backes, o América conseguiu o goal, marcando um ponto. O primeiro half-time correu com normalidade notável em match de tanta importância.
O Varginha Sport Club cometeu durante este tempo, algumas penalidades de "corner", porém a defesa foi sempre galharda; pois que, embora eles fossem bem tirados, o inimigo não se pode valer deles para fazer o goal. Chegada a hora regulamentar, o juiz deu por terminado o primeiro half-time, como o seguinte resultado: América 1x0 Varginha.
Após 10 minutos de intervalo o referee dá sinal e cada jogador retoma a sua posição. Mostra-se o jogo agora com mais entusiasmo e toma um aspecto bem diverso ao do 1º tempo. O Varginha Sport Club, dominado desde o início pelo América, reforça sua atividade, e assim, consegue dominar o adversário em toda a linha.
Infelizmente não conseguiu o goal, mais por falta de sorte que por imperícia, pois que, aproveitando os ótimos passes do Affonso, o Jordão por várias vezes atravessou a linha dos backes, conseguindo chegar com a bola até a porta do goal.
Ambos os teams estavam constituidos de elementos superiores, estabelecendo um certo equilíbrio, atestado pelo resultado final que foi de 1x0. Entre os jogadores do América, na nossa modesta opinião, destacavam-se o goal-keeper, o captain e o meia-extrema esquerda.
Dentre os jogadores de Varginha, destacavam-se o Affonso que, como sempre, jogou admiravelmente; o Macalé, apesar de doente e ter machucado um braço e o Orlando, que impressionou a assistência pelo seu arrojo, pela perfeita tática que mostrou, desenvolvendo um jogo belíssimo, como não esperávamos. O Chair muito se esforçou e fez o quanto pode à medida de seu alcance.
Em geral, todos estavam bons, mas notamos muita falta de training em alguns jogadores do Varginha, o que se não percebia em seus adversários. A luta terminou com a vitória do América pelo score de 1x0.
A noite houve uma imponente soirée dançante no Theatro Municipal, oferecida por nossa sociedade aos valentes pleyers de Alfenas, a que concorreu seleta e animadora assistência. Logo ao início se fez ouvir a palavra empolgante do consagrado tribuno dr. Walfrido S. dos Mares Guia, que, em breve alocução, saudou aos homenageados deixou claro o intuito dos festejos de que estavam sendo alvo, qual o de estreitar e cultivar os liames de amizade e simpatia que unem as duas frações sociais, unindo os dois povos, os dois municípios para o engrandecimento de ambos.
Sucedeu-lhe o dr. Almeida Magalhães que, com palavras comovidas, pandas de eloquência, agradeceu em nome dos filhos de Alfenas à prova de simpatia e de afeto que lhes dispensava o povo desta terra, tão bem traduzida nas expressões de seu representante. As últimas palavras do orador, foram recebidas com estrepitosa salva de palmas. A soirée prolongou-se até alta madrugada.

REGRESSO
No dia seguinte, à hora do trem mixto, que por aqui passa às 13 horas, inúmeras pessoas afluiram à gare para apresentar suas despedidas aos nossos gentilíssimos e prezados hóspedes.
Por essa ocasião houve troca de expressões significativas da fraternidade existente entre os dois povos. Em dado momento, srta. Cinira Silva, constituida representante do nosso belo-sexo, ofereceu em nome deste, um lindo ramalhete de flores naturais ao América F. C. na pessoa de seu Presidente sr. Altino Luz, como humilde recordação de sua estadia nesta cidade, ao que respondeu o representante do esporte alfenense com frases que bem traduziam a eloquente gratidão que lhe envolvia a alma.
Quando o trem deu partida, todos os corações rangeram nos gonzos da saudade, dessa saudade magnifica e dolorosa que deixa o adieu de um povo excessivamente bom, cujos feitos contidos nos limites da boa educação, deixam após, rastros luminosos e indeléveis."
Créditos para o blog: 
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